A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 04/11/2021

Em 2021, o ex-participante do “Big Brother Brasil” Gilberto Nogueira, economista pernambucano, estreou como apresentador em uma esquete de programa matinal, voltada para a difusão de dicas e noções básicas sobre administração financeira. Nesse contexto, a iniciativa de “Gil do Vigor” expõe as dificuldades de parcelas da população brasileira em gerenciar a renda, culminando no endividamento. Por isso, tornam-se evidentes os impactos da educação e planejamento financeiros em conjunturas de recessão econômica.

A princípio, o sociólogo alemão Karl Marx, no terceiro tomo de “O Capital”, anteviu o caráter cíclico das crises do capitalismo, que reverberam com mais força nas periferias do sistema. Com base nisso, mais de 150 anos depois da publicação do livro, o Brasil, país emergente e desigual, insere-se na ampla convergência de crises, intensificada pela pandemia do novo coronavírus, sem apresentar bons indicadores de recuperação econômica, estabilidade social ou manutenção dos direitos constitucionais. Ademais, extensos setores da população não possuem as habilidades de educação financeira, comprometendo a renda, principalmente em situações de instabilidade e declínio econômico.

Nessa perspectiva, segundo levantamento realizado pelo Mapa da Inadimplência no Brasil, aproximados 62 milhões  de indivíduos contraíram dívidas no mês de maio de 2021, com valores ultrapassando a renda média do país, que é inferior a um salário mínimo. Em decorrência disso, há a popularização de influenciadores digitais interligados ao planejamento de renda, como a “Nath Finanças”, bacharel em Administração detentora de um canal no “YouTube” com orientações sobre educação financeira para as classes mais baixas. Logo, são perceptíveis a insuficiente formação educacional econômica do Brasil, com o acúmulo ostensivo de dívidas, e as relevantes tentativas de agentes não governamentais em informar a população.

Portanto, diante da importância da educação financeira para a sobrevivência no capitalismo contemporâneo, é imprescindível que o Ministério da Economia, em ação conjunta ao SPC e ao Serasa, ampliar as alternativas de quitação de dívidas, tendo em vista a expansão atual da crise pandêmica, e fornecer cursos de administração financeira do cotidiano aos inadimplentes, no intuito de auxiliar no planejamento econômico familiar e evitar a contração de novas dívidas. Dessa forma, com o diálogo e a formação popular na compreensão do aspecto econômico na vida, poderão ocorrer a retração do endividamento interno do Brasil e o desenvolvimento da educação financeira ativa.