A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 05/11/2021

Promulgada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura, a todos os indivíduos, um padrão de vida que permita o bem-estar social. Entretanto, a falta de conhecimento sobre gestão financeira, aliada a padrões de consumo exacerbados, prejudica o gozo pleno do direito supracitado e leva muitos brasileiros à situação de inadimplência. Diante disso, com o fito de mitigar a problemática, cabe ao Estado a reformulação no ensino das finanças e, à sociedade, a conscientização ostensiva acerca do assunto.

Sob esse viés, tem-se que a educação financeira é fundamental para a homeostase (equilíbrio)  do país e deve ser provida pelo governo. Nesse contexto, tal assertiva é corroborada pelo entendimento do filósofo polonês Zygmunt Bauman, na obra “Vida líquida”, em que os hábitos de consumo desenfreados mostram-se responsáveis por prejuízos sociais, os quais vão do enfraquecimento das relações interpessoais até comorbidades relacionadas à saúde mental. Desse modo, evidencia-se que o ensino voltado para gestão de finanças deve ser priorizado nas matrizes de ensino nacionais.

Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das demandas sociais existentes. Nesse ínterim, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar da proatividade política a solução para todos os problemas nacionais. Em contrapartida, como sustenta o autor, postula-se que, independente dos políticos, a mudança deve emanar do povo. Por conseguinte, torna-se claro que a conscientização acerca da gestão das finanças pessoais deve ser iniciada, ainda, no seio familiar e nas escolas.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão para reformular o ensino conforme necessidade. Para isso, os parlamentares deverão consultar especialistas no assunto e a sociedade civil, de modo a garantir a pluralidade nos trabalhos. Nesse ponto, um bom exemplo consiste na alteração da matriz curricular do ensino básico com foco no ensino sobre finanças, de maneira qualitativa e voltada para hábitos diuturnos da vida adulta. Assim, gradativamente, a tendência será a redução no número de inadimplentes, com frutos colhidos pelo próprio país.