A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 06/11/2021

A obra cinematográfica brasileira “Até que a sorte nos separe”, retrata a vida de um casal que é agraciado com um prêmio de loteria e acabam gastando todo o dinheiro conquistado, com uma vida de ostentação, e terminam falidos. Fora da ficção, a realidade dos brasileiros se assemelha, pois, a deficiência da educação financeira dos indivíduos faz com que os gastos imediatistas sejam exacerbados, levando ao processo de endividamento e/ou falência. Nesse contexto, observa-se um problema de contornos específicos que tem como causas:  a má influência midiática e a base escolar lacunar. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa amenizá-los de maneira eficaz.

Em primeiro lugar, a influência negativa da mídia contribui para a persistência do problema. De acordo com o filósofo Walter Benjamin, a cultura de massa influencia o comportamento da população a ter um consumismo exacerbado, de modo a assemelhar-se aos padrões impostos pela indústria cultural e midiática. Sob essa ótica, jovens e adultos realizam compras diversas, muitas vezes condicionadas às facilidades advindas do uso de cartão de crédito, sem a preocupação de como irão pagar as faturas posteriormente, levando ao acúmulo de dívidas acrescidas de juros exorbitantes. Tal fato contribui para a massificação dos gastos no Brasil, e ao aumento do endividamento indesejado.

Em segundo lugar, o tema encontra terra fértil na base escolar lacunar. Diante dessa perspectiva, sob a ótica do filósofo grego Aristóteles: a educação é um caminho para a vida pública, o que leva ao bem estar da sociedade. Nesse viés, a manutenção de um ensino incompleto em temas como educação financeira, desde os primeiros anos escolares na sociedade brasileira, agrava o processo deficitário na formação de cidadãos, visto que retira do indivíduo o acesso ao conhecimento diversificado e de noções de como lidar com o dinheiro. Portanto, uma mudança nas diretrizes curriculares nacionais contribuiria para aperfeiçoar a formação do saber e proporcionar as premissas identificadas pelo filósofo.

Logo, medidas devem ser tomadas para que o processo de educação financeira no país seja alterado. Para isso, o Ministério da Educação deveria investir na organização de palestras nas escolas, para alunos e pais, por meio de entrevistas com profissionais especialistas em Economia e depoimentos de pessoas que já tiveram problemas financeiros de grande monta. Tais palestras também poderiam ser trasmitidas pelas redes sociais do ministério, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema e atingir um público maior. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira seja melhor educada, a fim de garantir a visão aristotélica e romper com comportamentos manipulados, além de quebrar os paradigmas evidenciados no filme nacional.