A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 14/11/2021
O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível à coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações as quais dificultam a educação econômica, interfere nas relações sociais e no bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, a falta de medidas socioeducativas em ambientes educacionais que promovam a orientação financeira, além da escassez da temática no ambiente intrafamiliar. Diante disso, cabe análise de tal problemática para possíveis soluções.
Convém ressaltar, a princípio, que a questão estatal e sua aplicação contribuem para potencializar o problema. Nesse ínterim, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Sob esse viés, denota-se mormente, a escassez do ensino financeiro, em especial nas escolas, haja vista não haver disciplinas de economia na grade curricular, tampouco palestras e conferências com economistas para elaborar planilhas de organização financeira. Tal cenário comprova-se por dados da OCDE( Organização para a Cooperação e Desenvolviemento Econômico), os quais apontam que mais da metade dos jovens brasileiros não tem conhecimento para lidar com o dinheiro. Com efeito, essa conjuntura corrobora para a marginalização social dos indivíduos, em virtude de provocar a inadimplência financeira na maioridade.
Cabe salientar, outrossim, a conformidade de tal contexto com a premissa da filósofa Hannah Arendt, a qual afirma que a negligência em relação ao outro constitui um grande dilema da modernidade. Esse infortúnio, por sua vez, relaciona-se a fluidez das relações sociais, tendo em conta a família considerar a discussão da temática desnecessária ou, inclusive, deter ações de inadimplência monetária. Isso posto, percebe-se a coerência com a teoria arendtiana ao assegurar a ausência de empatia, intensificada, particularmente, pela negligente formação de base crítica dos indivíduos o que, por consequência, provoca a continuidade do problema.
Urge, portanto, que, diante da realidade nafasta de desorganização com as finanças, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao Estado, em consonância com o Ministério da Economia, investir verbas na educação das escolas, por meio de emendas constitucionais com a introdução de disciplinas de economia na matriz curricular, além de promover estudos com economistas a partir de palestras e cursos, no intuito de fomentar a responsabilidade com o dinheiro, sobretudo na minoridade. Ademais, compete à família realizar o diálogo acerca do tema, a fim de permitir a formação consciente dos indivíduos. Destarte, a coesão de Durkheim será efetiva.