A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 06/11/2021

Durkheim defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre o indivíduo. Nesse sentido, um histórico da recorrência de crises econômicas perpetuadas por décadas, refletiu em um temor relacionado à gestão financeira no Brasil, consequente da repercussão desfavorável de abordagens políticas. Dessa forma, ampliado por uma visão imediatista, destaca-se um complexo dilema contemporâneo, em que a ausência de planejamento de orçamento sistematizou um ciclo que se opõe ao progresso individual e, consequentemente, ao desenvolvimento do país.

Em primeiro lugar, cabe destacar o impacto de políticas antecedentes. Em suma, a inflação esteve presente por várias décadas na realidade brasileira, em que os índices chegaram a marcar, na década de 1980, mais de 300% ao ano, culminando em um processo de hiperinflação, dificultando o controle efetivo de orçamento. Outrossim, em pouco mais de meio século, o Brasil conviveu com nove moedas diferentes, além do congelamento de investimentos no Plano Collor, consequentemente, consolidou-se, em resposta a instabilidade, uma lógica da gestão financeira sem análise. Essa ideia perpetua até na contemporaneidade, presente até mesmo nos jovens que não conviveram com esse cenário, já que o comportamento financeiro é majoritariamente uma transmissão familiar.  Destarte, evidencia-se o caráter histórico da gestão frágil de capital no Brasil.

Ademais, deve-se considerar o estigma cultural de uma postura de consumo incontrolável. Monteiro Lobato, por intermédio de seu personagem Jeca Tatu, no último conto de “Urupês”, descreveu a índole do brasileiro como conformista e cômoda. Essa postura, presente até o momento atual, corroborou para uma abordagem imediatista, salientando em relação à gestão financeira. Com efeito, o consumo sem planejamento refletiu em um descontrole financeiro e endividamento, concretizando em mais de 60 milhões de brasileiros no Mapa da Inadimplência de 2021, segundo o Serasa. Logo, a cultura do imediatismo é marcada pelo descompromisso com a priorização pelo desenvolvimento.

Torna-se evidente, portanto, que a implementação de uma educação financeira eficiente apresenta entraves que devem ser revertidos. Assim, Machado de Assis, em “Memória Póstumas de Brás Cubas”, escreveu “o menino é o pai do homem”, em que o autor aborda a defesa de que os valores introduzidos na infância moldam a índole do mesmo como adulto. Nessa conjuntura, o Ministério da Educação, órgão responsável pela gestão de todo o aparato educacional, deve introduzir, dentro da matriz escolar, a educação financeira desde os anos iniciais. Para tal, deve-se investir em uma abordagem indisciplinar, como história, sociologia e matemática. Destarte, visando a estimular um ciclo de planejamento financeiro coerente ao progresso democrático.