A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 06/11/2021

A obra “Quincas Borba”, de Machado de Assis, apresenta a história de Rubião - que enriquece ao herdar a fortuna do personagem que dá nome ao livro. Entretanto, ao fim da narrativa, o protagonista retorna á condição de pobereza por não ter gerenciado seu dinheiro. Fora da ficção, o descontrole financeiro é parte da realidade de diversos brasileiros, o que pode ser demonstrado pelo dado de que 41% da população adulta terminou o ano de 2018 com o “nome sujo”, divulgado  pelo SPC. Nesse sentido, tal panorama denuncia a ausência de uma cultura de educação financeira no país, impasse que tem como causa a falta do ensino de gestão econômica nas escolas e leva ao consumismo.

Em primeiro plano, é inegável o papel desempenhado pelas escolas na formação socioeducacional da população. Nesse ínterim, o descontrole financeiro de parte dos tupiniquins aponta para a inexistência da disciplina de educação financeira na grade escolar do Brasil. Segundo o educador Paulo Freire, não é possível que haja mudança no corpo social sem a educação. Sob esse viés, construir uma cultura de educação financeira só será possível por meio do ensino e do incentivo da gestão econômica aos indivíduos desde cedo.

Em segundo plano, a falta de educação financeira leva o sujeito ao consumismo, comportamento associado ao endividamento e à inadimplênscia, e que ainda assim é recorrente na sociedade brasileira. Nesse contexto, a filósofa alemã Hannah Arendt afirmou que a alta taxa de ocorrência de uma má conduta faz com que a sociedade deixe de vê-la como prejudicial (o conceito de “Banalidade do Mal”). Sob essa ótica, fica nítida a importância  da educação financeira para o rompimento da normalização dos maus hábitos de consumo e para a redução da taxa de “nomes sujos”, exposta pelo SPC.

Portanto, faz-se necessária a adoção de medidas para solucionar o impasse. Urge que o Ministério da Educação - responsável pelo sistema educacional brasileiro - atue na “linha de frente” da construção de uma cultura de educação financeira no país, por meio da adoção do ensino de gestão econômica durante toda a formação escolar, a fim de formar indivíduos que saibam gerenciar seu dinheiro e manter bons hábitos de consumo. Assim, será possível reduzir o número de endividados nas terras canarinhas, tal como impedir a ocorrência de “Rubiões” na vida real.