A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 08/11/2021
O conceito “Atitude Blasé”, cunhado pelo filósofo George Simmel, representa a indiferença social diante problemas recorrentes. Diante disso, observa-se uma concordância do termo com a negligência governamental frente a crise econômica no Brasil e sua origem na ausência de educação financeira. Entretanto, apesar da falta de infraestrutura política, a educação tecnicista e conteudista também corroboram a problemática. Dessa forma, faz-se necessário analisar os pretextos desse cenário.
Nesse viés, cabe ressaltar a ausência de medidas do poder público para inserir uma formação financeira na sociedade. Segundo o filósofo Jonh Rawis, um governo ético deve proporcionar recursos financeiros ao cidadão, o que, na realidade atual não é feito. A exemplo disso, 41% da população adulta do país em 2018 se encontrava endividada ou com CPF negativo – dados do Serviço de Proteção ao Crédito. Assim, confirmando o abandono do governo sobre os problemas de gerenciamento de finanças e a contradição no texto legislativo, o qual, afirma ser dever do Estado garantir uma vida digna à população.
Por outro lado, vale relembrar o papel das instituições de ensino na perpetuação desse panorama. De fato, a grade de educação baseada em conteúdos monótonos, como afirma o filósofo e educador Paulo Freire, carece de meios para formação de um indivíduo autônomo e sensato acerca dos empecilhos da vida – como o manuseio e controle do próprio dinheiro. Desse modo, a inserção do tema no ensino básico é de extrema importância para uma mudança no quadro econômico das famílias brasileiras e do país, além de compactuar com o conceito de “Pedagogia Autônoma” desse mesmo pensador.
Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Economia, fomentar o desenvolvimento de uma matéria sobre finanças nas escolas, a partir do financiamento da contratação e do preparo de economistas para lidar com crianças e adolescentes na orientação desse tema, a fim de formar jovens conscientes e aptos para gerenciar bem suas economias e minimizar a crise financeira nas residências do país. Ademais, cabe ao Ministério da Educação inserir na grade curricular e na profissionalização dos professores a educação financeira, por intermédio da capacitação desses profissionais para gerir essas aulas – com analogias históricas, cálculos matemáticos e termos filosóficos-, com intuito de tornar a economia parte da rotina dos alunos desde cedo.