A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 11/11/2021
A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi - idealizadora da teoria chamada “Status quo” - explicita que a mudança, apesar de necessária, é uma tarefa árdua de ser concretizada. Análogo ao discorrido pela autora, no cenário hodierno, vê-se que a falta de valorização dada para a educação financeira na vida do cidadão é o “Status quo” da sociedade atual e corrobora para grave problema social: o consumismo. Nesse sentido, este óbice ocorre pela inoperância estatal e acarreta limitação da liberdade pecuniária da população.
Precipuamente, é fulcral pontuar que, enquanto houver omissão governamental no que diz respeito à criação de mecanismos que coíbam para a pouca atenção voltada para a educação financeira, haverá desrespeito com a consolidação dos Direitos Civis. Nesse viés, consoante Hannah Arendt - expoente filósofa alemã - a essência dos Direitos Humanos é justamente a virtude de tê-los. Entretanto, a postura omissa do Estado, além de violar os preceitos mencionados pela estudiosa, contribui para a estagnação da sociedade brasileira, visto que a incompreensão acerca do uso consciente dos recursos econômicos por parte dos cidadãos faz com que estes não usufruam da melhor forma seu dinheiro e, muitas vezes, adquiram dívidas exorbitantes que prejudiquem toda a economia nacional. Sendo assim, é paradoxal que um país tão rico seja tão pobre em conhecimento.
Ademais, vale ressaltar que o corte de gastos com a educação monetária é fator determinante para a perda da autonomia dos brasileiros. Dessa maneira, de acordo com Bell Hooks, autora estadunidense, qualquer emancipação só será conquistada mediante o entendimento da sapiência, ou seja, a liberdade está diretamente atrelada à educação. No entanto, a escassez desta afeta diretamente a vida da sociedade, dado que o desprovimento de informação em relação a melhor forma de aplicação de recursos financeiros ocasiona excesso da compra de bens sem necessidade e aumento de dívidas. Nesse contexto, é inaceitável que o Brasil, nação de grande poderio econômico, não introduza a educação financeira nas escolas.
Portanto, a fim de encontrar uma medida para esse impasse, convém analisarmos soluções plausíveis. Para tanto, faz-se mister que o Estado - responsável pelo comando e organização do país - incorpore nas escolas de ensino fundamental e médio uma disciplina obrigatória que fale sobre educação financeira, por meio de profissionais formados em economia, direito ou administração que mostrem como investir e poupar, com o fito de influenciar a aprendizagem das crianças e jovens e incentivar o consumo consciente e proporcionar a liberdade financeira destes. Só assim os direitos ditos por Hannah serão efetivados.