A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 09/11/2021

Na obra pré-modernista “Triste Fim do Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o Major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. De literatura à realidade, contudo, ao observar a importância da educação financeira na vida do cidadão -ainda que seja uma questão de grande valor- percebe-se que esse assunto possui entraves para ser reverberado na comunidade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relacionados a essa problemática, é importante analisar a negligência estatal e a necessidade da educação.

A priori, vale ressaltar o Pacto Social, do contratualista, John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos, como a educação. No entanto, é evidente que tal prerrogativa não se reverbera no país, pois, dados da Serasa, indicam que 60 milhões de brasileiros estão endividados e 30 milhões superendividados, tal dado escancara a fragilidade do país acerca desse âmbito, na qual, quase metade da população passa por fragilidade financeira, resultando em endividamentos. Assim, a ineficácia estatal fere os princípios propostos por Rawls, e ao mesmo tempo, dificulta que a sociedade possa aproveitar de forma mais segura seu dinheiro.

Outrossim, aluda-se ao pensamento de Paulo Freire, “se a educação não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sob essa perspectiva, elucida-se a necessidade da ensinaça para a melhora dessa situação no Brasil, com mais pessoas tendo alto conhecimento no âmbito financeiro, as mesmas saberão melhor administrar suas finanças, resultando em menos endividados e em uma possível melhora nos índices de pobreza do país. Desse modo, não é inesperado que o Brasil, -apesar de almejar tornar-se nação desenvolvida- persista em não valorizar a ensinança de modo benevolente.

Dessarte, fica evidente que nem todos têm acesso ao conhecimento financeiro. Logo, cabe ao Ministério da Educação, por meio de projetos, inserir a educação financeira no currículo escolar, e ao Ministério da Economia, pelas redes sociais, promover campanhas com a proposta de conscientizar a população sobre a importância desse conhecimento para suas vidas, com a finalidade de que a nação verde-amarela tenha um melhor desenvolvimento e atenue os índices de endividados. Em vista da concretização dessas ações, a sociedade se aproximará da idealização do Policarpo.