A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 09/11/2021
O poeta luso-brasileiro, Gregório de Matos, passou a ser conhecido como “boca do inferno” por delatar, de maneira ácida, os problemas que o aniquilaram no século XVII. Possivelmente, ao se deparar com a ausência de educação financeira na vida da sociedade, o autor elaborasse críticas a respeito, haja vista que o entrave precisa ser atenuado no corpo social. Sob esse viés, essa adversidade tem origem irrefutável na negligência estatal e no silenciamento da mídia.
Em primeiro plano, é necessário ressaltar o modo como parte do Estado costuma lidar com a importância da educação financeira. Isso, porque, como reiterou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, dado que, embora aparente ser completa na teoria, várias vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a usência de um componente curricular adequado voltado para a aplicação do artigo 6 da Carta Magna, que assegura o direito à educação. Isso é perceptível, por exemplo, quando uma parcela da população não possui conhecimento básico do assunto. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o que é previsto pela Constituição Federal.
Em segundo plano, é pertinente ressaltar a insuficiente exposição dessa problemática por parte das plataformas midiáticas. No Século das Luzes, o Iluminismo difundiu informações que causaram a queda do absolutismo. Assim, vê-se a importância da função dos meios de comunicação como denunciadores de impasses sociais. Entretanto, no Brasil hodierno, as mídias deixam de apontar problemas atuais, tal como a desinformação populacional acerca da importância da educação financeira. Com efeito, devido a ausência de debates e propagação desse assunto como prioridade, a população, sem conhecimento da relevância de tal paradigma, deixa de se mobilizar a cerca dessa causa e influencia na consolidação de uma situação tão presente no país.
Diante do exposto, faz-se urgente, pois, que o Ministério Público - cujo dever é garantir a ordem jurídica e a defesa dos direitos sociais e individuais indisponíveis - cobre do Estado ações concretas, tais como a criação de um componente curricular denominado “Educação Financeira”, a fim de combater os prejuízos causados pela ausência de políticas públicas direcionadas ao ensino finaceiro. Entre essas ações, deve-se incluir, também, parcerias com as plataformas midiáticas, nas quais propagandas de apelo emocional, mediante depoimentos de pessoas que sofrem com as consequências do prolema supracitado, deverão conscientizar a população. Desse modo, tais medidas mitigariam o impasse debatido.