A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 10/11/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988, toda pessoa tem direito ao ensino público, gratuito e de qualidade. Contudo, a realidade do país, infelizmente, não espelha esse ideal, visto que a educação financeira ainda não tem sua importância plenamente reconhecida. Desse modo, é imprescindível analisar as causas de sua desvalorização, assim como suas consequências no cotidiano dos indivíduos.

Inicialmente, destaca-se a negligência governamental como um dos principais fatores que dificultam a democratização do ensino monetário no Brasil. Nesse viés, segundo o Contrato Social, proposto por John Locke, cabe ao Estado fornecer iniciativas que garantam o bem-estar social. Todavia, a União rompe com sua parte no contrato, ao não investir em políticas eficazes de promoção e de incentivo a educação financeira entre jovens e adultos, permitindo, dessa forma, a marginalização desse conhecimento e a continuidade de uma relação problemática dos cidadãos com o dinheiro.

Ademais, salienta-se a relevância do estudo de finanças para melhoria da vida dos indivíduos. Isso porque, tal modalidade tende a impactar positivamente no dia a dia de seus alunos quando as técnicas aprendidas – como funcionamento de juros, controle e planejamento de gastos – são postos em prática. Tal situação é ilustrada no filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”, o qual narra o cotidiano de uma garota consumista, lavada à falência por seus vícios, mas que, ao entrar em contato com o “mundo das finanças”, aprende a lidar com sua renda e a repensar suas condutas, evidenciando a importância desse saber.

Portanto, medidas são necessárias para promover o acesso de todos à educação financeira. Para isso, o Estado – no papel dos Ministérios da Educação e da Economia – deve investir em projetos de reformulação da grade curricular do ensino fundamental e médio, por meio da inclusão dessa modalidade de ensino no quadro de aulas das escolas publicas e privadas, assim como pela criação de cursos gratuitos desta vertente a serem disponibilizadas nos meios de comunicação, a fim de propagar tal conhecimento para os mais diversos públicos, de modo a democratiza-lo e a gerar uma consciência econômica nos seres. Espera-se, com essas iniciativas, que as prerrogativas constitucionais sejam asseguradas e que o Estado cumpra com sua parcela no contrato firmado em sociedade.