A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 16/11/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, que se caracteriza pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, a realidade contemporânea brasileira diverge da visão do autor, uma vez que o aumento do endividamento das famílias, obsta seu consumo e trava o crescimento econômico. Esse cenário antagônico, pode ser revertido pela educação financeira, importante instrumento que efetiva o mote da ciência econômica: maximizar a satisfação diante de necessidades crescentes e recursos escassos. Para esse intento, dificultam sua plena realização o baixo nível de renda e a existência de práticas arraigadas, cuja análise faz-se necessária visando o retorno da harmonia social.

A princípio, deve-se observar o papel da renda aviltada como entrave à formação financeira. A esse respeito, no Brasil, vive-se uma sociedade do consumo, da massificação da produção e da comercialização de manufaturas, em que, diuturnamente, a propaganda induz o ato de comprar, porém, quase a metade da população ganha menos de quinze reais por dia – dados do IBGE. Essa contradição, deixa poucas opções de equilíbrio para esse contingente, sobretudo em um tempo que privilegia o ter em detrimento do ser, como afirmava o filósofo Guy Debord. Assim, para esses, contrair empréstimos torna-se a única alternativa e, não raro, ocorre o descontrole e a inadimplência, que tornam mais desafiadora a atuação daquela benéfica iniciativa.

Outrossim, é igualmente relevante notar o papel de comportamentos reiterados na obstaculização à instrução monetária. Sobre isso, o filósofo francês Michel Foucault afirmava que certas ideias e ações são normalizadas no corpo social pela observação de sua repetição. Sob essa ótica, tornou-se um hábito socialmente aceito, a tomada de empréstimos apenas considerando o valor das parcelas a pagar, nunca o montante total, a despeito dos altos juros e da falta de reflexão. Essa dinâmica é facilitada pela oferta abundante de crédito, sobretudo nas modalidades consignadas em folha salarial, criadas pelo governo. Logo, esse aspecto cultural do país pode diminuir o alcance dessa auspiciosa medida.

Urge, portanto, que alternativas sejam encontradas para reversão desse quadro com empecilhos na renda e na percepção da dinâmica dos financiamentos. Dessarte, o Ministério da Economia deve propor projeto de lei instituindo programa de auxílio aos mais vulneráveis com a finalidade oferecer uma renda universal mínima e empréstimos com juros subsidiados para quitação de débitos vencidos, condicionados à participação em treinamento de gestão pessoal de finanças. Tal iniciativa seria feita através de audiências públicas, que se justificam pelo estímulo à conscientização de todos sobre os riscos da contratação de crédito por impulso. Com isso, se alcaçaria a utopia.