A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 12/11/2021
A série sul-coreana “Round 6” viralizou nos últimos meses ao retratar uma distopia na qual os jogadores participavam de jogos extremos de modo a conseguir dinheiro para quitar suas dívidas. De forma análoga, ainda que tal realidade não seja vivida atualmente, a ascensão do número de pessoas negativadas no Brasil, da crise ecônomica e do desemprego-ratificados pelo cenário de pandemia mundial- colocam em voga a importância da educação financeira para a sociedade e os obstáculos à sua implantação, como a escassez de recursos e a desigualdade social. Então, faz-se necessário discutir, socializar e efetivar medidas para atenuar esses entraves. Em primeira análise, há de se mapear os fenômenos histórico-sociais que permeiam a educação financeira no Brasil. Nesse bojo, Leando Karnal, filósofo contemporâneo, afirma que existe uma “tradição de crédito” no Brasil, pela qual se opta por parcelar ao invés de pagar à vista-como ocorre em outros países-hábito que favorece o risco de inadimplência-, além de uma baixa adesão da população a práticas como poupança de parte do salário e priorização de gastos. Nesse viés, dados do Serasa apresentam que mais de 62 milhões de brasileiros estão endividados em 2021, reafirmando a relevância da inserção da educação financeira nas instituições de ensino, agora declarada obrigatória pelo MEC desde 2020. Dessa forma, é de extrema importância que sejam realizadas políticas públicas para otimizar a consciência para o manejo do capital desde a tenra idade. Em segunda análise, há de se explicitar as maneiras de introdução e exercício dessa ferramenta econômica e social no território nacional. Sob esse viés, pesquisas realizadas pelo Pisa apuraram que cerca de 90% dos estudantes brasileiros aprendem sobre educação financeira em casa, além de concluir que aqueles advindos de melhores condições econômicas demonstram ter mais conhecimento sobre finanças, evidenciando uma desigualdade social, corroborando para a urgência da garantia de educação financeira a todos, visando a formação de cidadãos prudentes. Não obstante, a escassez de recursos-agravada pela crise de saúde- compromete a aquisição dos materiais e treinamentos necessários para lecionar essa habilidade nas escolas. Dessa maneira, é imprescindível que a sociedade se organize para reinvindicar a educação financeira à população. Portanto, é inegável a importância da educação financeira na vida do cidadão e a pertinência de obstáculos à sua universalização, que carecem de uma solução. Para tal, é necessário que a iniciativa público-privada se una para garantir a asseguração desse direito à todas as parcelas da população, instituindo, ainda, o ensino do uso consciente do dinheiro durante a formação das crianças em casa. Além disso,