A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 12/11/2021
A fábula “ A cigarra e a formiga” narra a história de uma cigarra que só cantava sem se preocupar com o amanhã, enquanto a formiga trabalhava diariamente para estocar alimento para os meses de inverno que estavam por vir. Ainda que se trate de uma obra infantil, a narrativa tematiza uma problemática da sociedade contemporânea: os impactos da falta de planejamento financeiro. Contudo, a educação financeira ainda é uma realidade distante da maioria da população devido a desigualdade social e a negligência governamental.
Primeiramente, vale ressaltar que o Brasil se desenvolveu sob forte contraste socioeconômico, no qual as políticas foram direcionadas para manter e ampliar os benefícios da elite. Tal conjuntura, propiciou a permanência de uma disparidade no acesso à educação, o que, no contexto financeiro, fica ainda mais evidente, uma vez que 46% dos cidadãos sequer fazem algum tipo de controle sobre seus ganhos, segundo dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Nesse sentido, as consequências da nulidade do planejamento financeiro foram expostas pela pandemia da covid-19, visto que cerca de 40% dos brasileiros tiveram sua remuneração afetada em 2020, segundo a Confederação Nacional de Indústrias (CNI). Em suma, essa anomia poderia ser sensivelmente reduzida se houvesse a adoção de práticas de promoção à saúde financeira.
Outrossim, ainda que o Estado tenha criado a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), o que se observa, na prática, é uma negligência acerca do assunto. Sob essa ótica, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling pontuam no livro “Brasil: uma biografia” que os imbróglios sofridos pelo tecido civil não decorrem da falta de uma legislação, que é uma das mais avançadas do mundo, mas de sua efetivação. Essa inobservância é especialmente prejudicial, na medida em que cria um terreno fértil a práticas como o uso indevido de crédito e o endividamento, condutas que além de afetarem o cidadão, também se traduzem em perturbações que impedem o progresso econômico.
Diante do exposto, urge que o governo federal, por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério da Educação, que deverá reverter a verba na ampliação do ENEF, de forma a contemplar também os adultos, com o objetivo de levar o conhecimento sobre a importância de se gerenciar os gastos para uma melhor qualidade de vida. Ademais, cabe ao Estado vincular propagandas em todas as mídias atentando a adoção de práticas simples, como a necessidade da manutenção de um fundo emergencial para a saúde financeira, por exemplo, para que possa alcançar ao máximo a coletividade. Dessa forma, espera-se democratizar o acesso aos saberes sobre finanças pessoais, de modo a contribuir para a construção de uma sociedade plenamente desenvolvida.