A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 14/11/2021

O filme brasileiro “Até que a sorte nos separe” retrata a história de uma família, que mesmo após ganhar um alto valor na loteria, gasta e perde em pouco tempo todo o dinheiro por não saber como gerenciá-lo. Fora da ficção, a obra cinematográfica pode ser relacionada com a escassa educação financeira no Brasil, visto o elevado número de inadimplentes. Esse cenário nefasto ocorre em razão da não implementação efetiva desse tipo de ensino nas escolas, o que propicia um consumismo exagerado e danos para a saúde dos indivíduos.

Em primeira análise, cabe abordar a importância dos colégios para a formação do conhecimento financeiro da população. De acordo com o pedagogo Paulo Freire, o ensino conteudista, baseado apenas na memorização, não forma cidadãos conscientes para a vivência no futuro . Nesse sentido, percebe-se que, embora as escolas promovam o contato dos alunos com o universo das finanças por meio de problemas matemáticos com juros e porcentagem, esses se mostram escassos e superficiais, uma vez que não se aproximam do cotidiano com contas a pagar e necessidade de planejamento. Tal fato impacta na vida adulta das crianças e adolescentes, já que crescem sem saber como gerenciar seu próprio dinheiro, como os personagens de “Até que a sorte nos separe”. Logo, nota-se que é preciso uma reformulação das aulas nas instituições de ensino de modo a garantir um desenvolvimento pleno aos estudantes.

Ademais, vale destacar que a falta de conhecimento sobre a educação financeira e como organizar as finanças favorece as compras de caráter impulsivo e sem necessidade. Segundo o filósofo Hans Jonas, o princípio da responsabilidade é baseado na consciência que os indivíduos devem ter das suas ações a longo prazo. Nesse contexto, a superficialidade da educação financeira desde o período escolar torna diversas pessoas mais propensas a serem manipuladas por anúncios publicitários e promoções. Assim, esse contexto problemático contribui para o surgimento da inadimplência, o que pode impactar na qualidade de vida desses indivíduos, dado que o uso do dinheiro para o pagamento de dívidas e produtos não necessários limita o gasto com itens essenciais, a exemplo da saúde e estudo.

Portanto, cabe ao Ministério da Economia promover um maior contato do corpo social com a educação financeira por intermédio de palestras na grade horária das escolas e campanhas informativas em diversos meios de comunicação, ministradas por professores de economia. Essa medida deve ser feita com o objetivo tornar o ensino nos colégios menos genérico e conscientizar tanto os jovens, quanto os adultos sobre o tema. Dessa forma, a falta de conhecimento de como administrar as finanças será minimizada e ficará restrito ao filme “Até que a sorte nos separe”.