A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 15/11/2021

O filme estadunidense ‘’Admirável Mundo Novo’’ de 1998 – inspirado no romance britânico de Aldous Huxley – apresenta uma sociedade utópica e futurística que é desprovida de guerras, de crimes e de doenças, ou seja, de problemas sociais. Fora da ficção, é fato que a situação apresentada mostra-se distante da realidade contemporânea, visto que a falta da educação financeira na vida do cidadão caracteriza um desafio a ser sanada na sociedade brasileira. Isso ocorre seja pelo ensino tecnicista propagado pelas escolas, seja pela omissão familiar no incentivo ou costume do planejamento financeiro. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida.

Diante desse cenário, é lícito salientar a falta de práticas pedagógicas que priorizem a multiplicidade dos ensinos e temáticas, catalisando a problemática. Nesse sentido, de acordo com o ensino pedagógico deve ser pautado na multiplicidade dos saberes. Entretanto, nessa linha de raciocínio, observa-se que parte substancial do corpo docente não instrui os estudantes a diversificarem os conhecimentos, aplicando-os a temática da vida pós-formados, como a aplicação das tributações e dos impostos. Por conseguinte, a falta dessa prática contribui para a formação de indivíduos despreparados para a realidade social.

Ademais, vale discutir como a falta da educação financeira nas famílias reflete na prole. Sob esse viés, o emérito filósofo Pierre Bourdieu, em seu conceito ‘’Teoria do Habitus’’, aponta para a formação de hábitos no meio do convívio social, sendo esses incorporados pelo sujeito. Analogamente, no Brasil, a falta do ensino financeiro para as gerações anteriores criou um hábito familiar acerca da falta de planejamento financeiro que, por sua vez, reflete no comportamento dos filhos acerca do mesmo tema. Desse jeito, constrói-se uma sociedade onde a ausência da prática financeira aumenta o consumismo, contribuindo para o avanço da taxa de pobreza entre os cidadãos brasileiros.

Torna-se evidente, portanto, que a ausência de uma pedagogia pautada na multiplicidade de saberes, com enfoque na vida em sociedade, tem tornado a futura geração incapaz de lidar com a vida adulta. Assim, cabe ao Estado solucionar tal mazela social, mediante o investimento no MEC que irá reformular a Base Nacional Comum Curricular com foco na implementação de conteúdos voltados a educação financeira, visando a melhor resposta dos alunos acerca do aspecto financeiro, evitando o aumento da pobreza no futuro. Outrossim, é imprescindível que os meios midiáticos elaborem campanhas instrutivas sobre a importância da gestão financeira na vida adulta. Somente assim, o Brasil conseguirá alavancar a educação financeira como aspecto fundamental na vida da população.