A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 16/11/2021

Segundo a consultoria Nielsen, dos dez livros mais vendidos no Brasil em 2019, quatro apresentam a administração de finanças como temática. Indubitavelmente, a educação financeira é um tópico popular na sociedade brasileira contemporânea, sobretudo devido a importância dessa discussão para o desenvolvimento socioeconômico do cidadão. Nessa ótica, destacam-se dois fatores: o limitado debate da temática em ambiente familiar e a abordagem negligente do assunto na escola.

Primeiramente, é crucial ressaltar que a educação financeira ainda é pouco discutida entre as famílias do Brasil. Segundo a teoria sociológica do determinismo, o homem é produto do meio que vive, sendo portanto construído socialmente através da sua interação e experiências com as pessoas com as quais convive e o ambiente no qual se localiza: logo, o indivíduo criado em um núcleo familiar desinteressado na temática da educação financeira está fadado a manter o descaso para com o assunto e crescer como um adulto incapaz de administrar o seu dinheiro, o que explica os mais de 60 milhões de brasileiros com contas atrasadas em 2018, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Logo, o debate do tema no meio familiar é indispensável para o desenvolvimento individual.

Além disso, a discussão precária acerca do tópico em ambiente escolar promove a manutenção da ignorância brasileira e a incapacidade dos cidadãos de administrar suas finanças. De acordo com um estudo de 2015 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mais da metade dos jovens brasileiros de 15 anos não tem conhecimento financeiro comum, um reflexo da inegável falha no ensino básico do país, que não aborda ou expande o assunto nas salas de aula, formando indivíduos que não compreendem o funcionamento do dinheiro ou como administrá-lo na sociedade contemporânea. Assim, acontece a perpetuação do desconhecimento brasileiro acerca da educação financeira, ocasionando em milhões de cidadãos adultos incapazes de organizar suas próprias finanças.

Em síntese, é cabível dizer que a educação financeira é essencial na vida do cidadão. O Ministério da Educação deve proporcionar uma maior abordagem da temática para os estudantes brasileiros, através de palestras, rodas de conversa e trabalhos escolares de cunho obrigatório que discorram acerca do tema, visando assim uma maior parcela de alunos com acesso ao ensino financeiro. Além disso, também cabe ao Ministério da Educação a abertura do debate sobre finanças em ambiente familiar, por meio da distribuição gratuita de materiais educativos (livros, panfletos e similares) sobre o assunto para famílias de baixa renda, promovendo uma discussão mais frequente nos lares brasileiros.