A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 15/11/2021
O “crash” da bolsa de valores nova-iorquina em 1929 impactou a economia mundial e forçou a maior parte do globo a rever seus hábitos financeiros. De forma análoga, a ascensão exponencial de brasileiros endividados em meio à consolidação da sociedade de consumo, da crise econômica e do desemprego agravados pelo cenário de pandemia urgem mais do que nunca à importância da educação financeira na vida do cidadão, sendo necessário discutir e efetivar medidas para a sua implementação. Em primeira análise, verifica-se que o mau manejo de dinheiro no Brasil remete ao Período Colonial, no qual a exploração das colônias gerou desigualdades socioeconômicas e acostumou grande parcela da população a viver com recursos escassos, e, consequentemente, sem planejamentos a longo prazo. Nesse bojo, Leandro Karnal, filósofo contemporâneo, afirma que foi criada no Brasil uma “tradição de crédito”, que permite que os consumidores comprem mais, mas também aumenta o risco de inadimplência por meio da acumulação de dívidas, teoria respaldada por dados recentes do Serasa, que apontam ao endividamento de 62 milhões de brasileiros. Simultaneamente, a consolidação da sociedade de consumo na Quarta Revolução Industrial, a crise econômica e o desemprego agravados pela pandemia reiteram a pertinência da responsabilidade financeira. Assim, é de extrema importância que sejam criadas políticas públicas para tal. Outrossim, percebe-se uma disparidade na educação monetária entre as diferentes classes sociais da União. Sob esse viés, segundo o Pisa, 90% dos estudantes brasileiros aprendem sobre o uso do dinheiro em casa, e aqueles com melhores condições financeiras demonstram ter mais conhecimento dessa habilidade. Nesse sentido, é evidente a necessidade da educação financeira nas escolas, de modo a atenuar tais desigualdade e preparar crianças e adolescentes para a vida adulta. Não obstante, o corte de verbas à educação tem se mostrado um entrave ao treinamento de professores e compra de materiais usados no ensino dessa ciência. Dessa maneira, é imprescindível que o corpo civil se organize para reivindicar o cumprimento desse direito. Portanto, é inegável a importância da educação financeira na vida do cidadão, sendo essencial propor medidas para a sua universalização. Para tal, é fundamental que o Ministério e as Secretarias de Educação incorporem integralmente o ensino financeiro nas instituições, elaborando projetos e campanhas pedagógicas a fim de introduzir os saberes econômicos desde a tenra idade. Ademais, é papel do Governo Federal, em parceria com a iniciativa privada, realizar programas de incentivo ao desenvolvimento de competências financeiras, atingindo principalmente as populações mais vulneráveis, de forma a diminuir o endividamento e a inadimplência, promovendo maior dignidade e qualidade de vida a esses indivíduos. Então, tornar-se-á o Brasil oportuno a todos, pois, segundo Platão, filósofo grego, “quando se vive em república, tudo é problema de todos”.