A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 15/11/2021

Adam Smith foi o primeiro pensador a conferir a devida importância ao estudo da economia, criando a base de um novo ramo do conhecimento humano e mudando para sempre a forma de se enxergar a sociedade. Não obstante, se distanciando dos valiosos ensinos passados por esse importante filósofo, o Brasil enfrenta uma crise em relação à educação financeira de seus cidadãos, o brasileiro não sabe controlar seus gastos. Diante disso, dois motivos se destacam no agravamento desse cenário: uma herança histórica hostil ao manuseio do dinheiro e um incentivo capitalista ao consumo exarcebedo e desregulado.

Em princípio, a história brasileira é diretamente relacionada com a difusão e o fortalecimento do catolicismo apostólico romano. À vista disso, a educação desse país foi por muitos séculos conduzida pelos padres jesuitas, enraizando no ideário popular visões totalmente contrárias ao acúmulo de capitais e ao gerenciamento de riquezas, práticas estas enxergadas como condenáveis e pecaminosas. Dessa forma, remanescente dessa nociva concepção em relação ao dinheiro, as escolas no Brasil carecem de uma educação financeira para seus alunos, colaborando em formar uma população majoritareamente endividada, como apontam os dados da SPC Brasil.

Outrossim, a sociedade brasileira sofre com o crescimento de um capitalismo cada vez mais hostil a um consumo equilibrado. Nesse viés, assim como explica o sociólogo Max Horkheimer, a indústria cultural se alastra rapidamente pelos países atrelados ao modelo de produção burguês, associando no imaginário popular a noção de felicidade com a capacidade de consumir. Desse modo, o sistema econômico atual se beneficia de um povo sem educação financeira e desincentiva o seu ensino nas escolas, utilizando-se de sua influência para obstruir a implementação dessa matéria nos currículos escolares e, assim, manter o “status quo”.

Convém, portanto, que ações sejam tomadas para mitigar a problemática. Posto isso, é dever do Ministério da Educação estimular a educação financeira no país por meio de uma mudança nos currículos escolares, acrescentando o estudo mais aprofundado de grandes filósofos das áreas econômicas, como Max weber e Karl Marx, além de métodos de como poupar dinheiro no dia a dia, a fim de formar uma população menos endividade e mais consciente de seus gastos e dos funcionamentos da economia. Ademais, é necessário que as universidades, como os polos intelectuais do país, combatam as nocivas ideias consumistas disseminados pelo capitalismo, produzindo livros voltados ao esclarecimento dos indivíduos para os perigos da industria cultural, com o fito de contruir-se um povo melhor informado e menos suscetível as influências burguesas.