A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 15/11/2021
O filme brasileiro “Até que a morte nos separe” tematiza a vida de um casal contemplado com um prêmio lotérico, mas que, por não saber administrar corretamente as finanças, acabam gastando toda a fortuna recebida. Embora ficcional, a obra reflete a realidade de muitos brasileiros que, devido às lacunas educacionais do Brasil e à mentalidade capitalista enraizada, não possuem conhecimentos financeiros e enfrentam problemas que os afetam individualmente e reforçam problemas socioeconômicos. Nesse sentido, é indispensável desenvolver estratégias para reverter esse quadro.
A princípio, deve-se ressaltar que o déficit educacional relativo ao ensino financeiro corrobora o problema. Isso porque, ao contrário dos resultados obtidos na Finlândia, país que se destaca em índices educacionais e que proporciona conhecimentos sobre finanças, as instituições de ensino do Brasil – baseadas em um modelo de educação tradicional e limitado – não preparam as crianças e jovens para administrar seus bens. Desse modo, a falta de intruções sobre o dinheiro – como sua valorização, as formas de economizar e investir – contribuem para a formação de cidadãos que não sabem se planejar, são facilmente enganados por lojas e bancos, gastam mais do que ganham, pagam juros excessivos e se endividam. Por conseguinte, percebe-se a necessidade de modificar esse modelo de ensino restrito.
Concomitantemente, deve-se apontar o sistema capitalista como fator agravante, haja vista que induz o consumo desenfreado. Sob a ótica dos filósofos Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural desperta a pseudo-felicidade e impede a autonomia consciente. Nesse contexto, nota-se que o consumismo é estimulado a partir da criação de falsas ideias de satisfação pessoal pela compra, as quais dificultam o discernimento do consumidor, fato que, concatenado à má formação educacional financeira dos brasileiros, ao não estabelecimento de prioridades financeiras e as facilidades de expansão de crédito atuais, ocasiona o aumento do número de inadimplentes – como confirmam dados do SPC, em que mais de 60 milhões de brasileiros têm o nome sujo – e favorece a manutenção das desigualdades sociais no país ao intensificar as diferenças de renda.
Por tais razões, infere-se a necessidade de medidas que transformem essa realidade brasileira. Dessa forma, é imperioso que o Ministério da Educação implemente a obrigatoriedade da disciplina “Educação Financeira” nas escolas por meio de aulas sobre conhecimentos básicos, intermediários e avançados sobre finanças e de projetos interdisciplinares – com a participação de profissionais da matemática, geografia e sociologia – com vista a desmistificar o assunto, promover a valorização do dinheiro pelos jovens e promover a formação crítica e consciente da população brasileira, o que, consequentemente, previnirá problemas financeiros no país e atenuará as desigualdades econômicas.