A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 15/11/2021
No filme “O Vencedor”, o boxeador Dicky ensina sua filha, em uma das cenas, sobre a importância de se planejar financeiramente e, para isso, utiliza-se de uma situação corriqueira da criança : mostra, por meio de cálculos, quais produtos ela poderia comprar com o dinheiro que tinha. Apesar de se tratar de uma ficção, a cena do longa-metragem demonstra a importância da educação financeira na vida de um cidadão. Entretanto, no Brasil, a situação cinemática não representa a realidade dos brasileiros, em virtude da falta de desvelo governamental atrelada ao consumismo.
Nesse sentido, em primeiro plano, é importante ressaltar que a ausência de zelo governamental tem perpetuado essa cenário. Sobre esse ponto, o filósofo Rousseau, em sua tese, disserta acerca da função do Estado na garantia dos direitos dos cidadãos. Entretanto, o episódio do quadro jornalístico “Profissão Repórter” sobre essa temática demonstrou, por meio entrevistas com educadores, que, atualmente, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não dispõe da obrigatoriedade da educação financeira nas instituições de ensino. Como consequência dessa ausência, o preceito contratualista não é efetivado na prática, haja vista que a situação atual é resultado da falta de ação estatal.
Ademais, em segundo plano, outro fator que corrobora essa situação é a pressão do sistema econômica para o consumo de bens e serviços. Sob esse viés, o sociólogo Karl Marx, em suas obras, preconizou que, no mundo capitalista, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Dentro dessa perspectiva, é possível denotar que as empresas, por intermédio da coerção midiática, geram um anseio pelo consumismo na população para aumentar seus lucros, sem pensar nas consequências para os indivíduos. Assim, em decorrência desse alienamento, a população consome de maneira exagerada para se adequar a cultura imposta e acaba por se endividar, como mostra o anuário do Conselho Nacional de Comércio (CNC), que demonstrou que cerca de 70% dos brasileiros possuem dívidas.
Fica claro, portanto, que a situação atual é resultado da omissão governamental atrelada ao consumo exacerbado. Urge, logo, que o Ministério da Educação (MEC), órgão responsável por políticas educacionais no país, crie um programa de educação financeira em âmbito nacional. Tal programa deve ser efetivado por meio de videoaulas e palestras, a serem webconferenciadas nas redes sociais do MEC, bem como nos canais de televisão, sobre como realizar um planejamento financeiro e se atentar aos perigos das propagandas das grandes empresas. Essa ação pode contar, também, com parcerias público-privadas com empresas do mercado financeiro, como a XP Investimentos, para que elas possam disponibilizar conteúdos gratuitos de educação financeira na internet para toda a população. Feito isso, a cena de “O Vencedor” será, enfim, parte do cotidiano do país.