A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/11/2021

De acordo com a mitologia grega, o Rei da ilha de Creta requisitou a construção de um labirinto debaixo do palácio de Knossos para isolar e esconder uma criatura problemática de todos os cidadãos cretenses: o Minotauro. Fora do cenário mitológico, as sociedades atuais também carregam consigo “Minotauros contemporâneos”, isto é, diversos problemas sociais que não são suficientemente debatidos e enfrentados, a exemplo da falta de educação financeira dos brasileiros. Diante disso, torna-se imprescindível analisar criticamente a omissão escolar e a negligência midiática como fatores que obstaculizam a ênfase à importância da educação financeira na vida do cidadão.

Em primeira análise, é válido denunciar a omissão das instituições educacionais na educação econômica dos brasileiros. Esse panorama é reflexo da influência do Positivismo, o qual afirma a necessidade de um processo educacional técnico como forma de gerar mão de obra produtiva para as necessidades laborais do sistema capitalista. Tal lógica está enraizada na educação brasileira e coloca em descrédito o conhecimento sobre finanças dos estudantes, afinal, são escassas atividades que promovam uma relação mais consciente dos educandos com o dinheiro. Consequentemente, ao aplicar uma lógica positivista, o sistema de ensino favorece uma crise econômica na vida dos indivíduos.

Ademais, é lícito ressaltar a negligência midiática em combater o descaso da educação financeira na vida dos brasileiros. Isso ilustra o pensamento de Émile Durkheim, o qual apresenta a mídia como uma macroestrutura social responsável por negligenciar aos telespectadores - microestruturas sociais - assuntos de extrema importância para o desenvolvimento pessoal do indivíduo. Essa reflexão sociológica é elucidada pela falha do setor midiático em priorizar a divulgação de propagandas que incentivem o consumismo desordenado em detrimento de campanhas que orientem um consumo consciente, o qual deve está ligado à preocupação financeira. Por conseguinte, essa macroestrutural é responsável por prejudicar a educação financeira do tecido social.

Portanto, urgem intervenções para enfatizar a importância da educação financeira dos cidadãos. Desse modo, o Ministério da Educação, órgão responsável pela educação de todos, deve incluir na Base Nacional Comum Curricular matérias sobre finanças, por meio da formação de docentes especializados em economia, a fim de não se concretizar nas instituições brasileira de ensino a ideia positivista. Outrossim, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária deve promover a conscientização da população sobre a educação financeira, por meio de propagandas que incentivem um consumo consciente, a fim de promover uma melhor vida financeira dos indivíduos. Destarte, o “Minotauro contemporâneos” em análise será combatido.