A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/11/2021

A obra ‘’Ensaio sobre a cegueira’’, de José Saramago, retrata a invisibilização e escassez de críticas de certos temas na sociedade contemporânea. Fora da ficção, a realidade não é diferente, uma vez que a importância da educação financeira na vida do cidadão não é apresentada de forma massiva no Brasil e não é uma temática acessível para todos os grupos sociais do país. Nesse sentido, observa-se a configuração de um grave problema, enraizado na lacuna educacional e no silenciamento.

Nesse contexto, pode-se apontar a base educacional como um influenciador dessa questão. De acordo com o filósofo Imannuel Kant, o homem é o resultado da educação que teve. Sob essa lógica, quando ocorre um impasse social há uma falha no sistema educativo brasileiro. Desse modo, é notório que a maioria das instituições de ensino não abordam a educação financeira, apesar do mandato do Governo Federal no ano de 2020 à implementação desses tópicos entre as matérias. Além disso, constata-se que as escolas não possuem materiais didáticos específicos para o ensino de finanças, e também não há profissionais formados em economia para auxiliar em projetos socioeducativos, com isso prejudicando esse objetivo. Logo, é evidente que, sem essas medidas, a importância desse conteúdo é negligenciada.

Outrossim, é imperioso destacar a ausência de debates como uma causa latente desse cenário. Segundo a escritora Djamilla Ribeiro, é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. De fato, há um silenciamento instaurado nesse imbróglio, dado que a mídia não incentiva a abordagem da importância da educação financeira para o indivíduo, alertando aos perigos de golpes econômicos, do consumismo e da falta de investimento. Dessa forma, verifica-se que os veículos midiáticos, principalmente a televisão e redes sociais, que são uns dos meios mais acessíveis hodiernamente, não apresentam em horário nobre a relevância de saber fazer orçamentos e ter precaução no uso do dinheiro. Diante disso, sem essa ação comunicativa, a adversidade tem sua resolução dificultada.

Portanto, urge uma intervenção pontual. Para isso, o poder estatal, por intermédio do Ministério da Educação, deve elaborar projetos e campanhas, por meio das matérias de história, sociologia e matemática, com a finalidade de evidenciar o ensino financeiro para os jovens nas escolas públicas e privadas. Tal ação deve ocorrer com ampla divulgação nas redes sociais. Ademais, as grandes emissoras devem transmitir programas com profissionais de economia que dissertem sobre o ato de empreender. Assim, esse axioma não será mais oculto da sociedade como no romance ‘’Ensaio sobre a cegueira’’.