A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 17/11/2021
Na série da Netflix, “Round 6”, é mostrada a história de um grupo de pessoas que estão passando por crises financeiras e na tentativa de tornarem-se livres dessas dívidas, aceitam participar de um jogo de sobrevivência bilionário. Em consonância com essa realidade, está a de muitos brasileiros, vítimas da ignorância, por não reconhecerem a educação financeira como um caminho para a dignidade humana e da omissão do Estado diante esse caso, configurando, assim, um problema.
A princípio, cabe destacar os aspectos sociais gerados pela normalização do pouco investimento na educação financeira. Para o pensador francês Émile Durkheim, o indivíduo é construído socialmente a partir de suas experiências e dos seus aprendizados adquiridos até a fase adulta. Nesse contexto, se não há, hoje, uma certa preocupação em investir no aprendizado financeiro, as novas gerações, assim também, não a terão e, portanto, estarão condenadas a viver em uma sociedade cada vez mais naturalizada com a não gestão dos seus recursos e, consequentemente, com as desigualdades, já que esse tipo de educação busca, justamente, romper com essa triste situação. Logo, torna-se essencial a superação desses paradigmas que prejudicam toda uma nação.
Outrossim, faz-se de suma importância o debate acerca da omissão do poder público diante esse caso. Para o filósofo grego Aristóteles, cabe ao Estado o dever em garantir e manter o bem-estar social. Porém, sob essa perspectiva, torna-se evidente no Brasil o oposto dessa noção, já que diante de um cenário tão preocupante, a legislação ainda não atua de forma tão invasiva e coerente diante esse mal, algo bem atestado pela frágil ou quase que inexistente abordagem financeira na grade curricular das escolas do país. Sendo assim, faz-se imprescindível a dissolução dessa postura.
Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para garantir a educação financeira dos brasileiros. Cabe, então, ao Ministério da Educação, órgão regulador das diretrizes educacionais do país, por meio de emendas à Legislação Federal, incrementar na base curricular educacional, aulas, lecionadas por profissionais da área das finanças, como os da contabilidade e da administração, que abordem a educação financeira e sua real aplicação na vida desses alunos, a fim de garantir a total capacitação desses indivíduos no gerenciamento de suas finanças e evitar possíveis dívidas futuras. Só assim, o país estará cada vez mais distante daquela realidade vivida por aqueles jogadores.