A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 18/11/2021
No filme estadunidense “As branquelas”, que relata a história de dois policiais que se transvestem para a investigação de um crimonoso, aborda-se a história do pai das irmãs Wilson, que, devido ao consumismo de suas filhas, foi à falência. Apesar de ser apenas ficção, essa obra demonstra a importância da educação financeira na vida do cidadão, assunto em pauta na sociedade brasileira do século XXI. Essa questão é essencial, uma vez que reduz o consumismo, porém, não é devidamente abordada no ambiente escolar. Assim, é imprescindível a adoção de medidas no âmbito educacional para que seja possível intervir no atual panorama.
Em primeira análise, relaciona-se a educação financeira com o consumismo. Para tal, cabe considerar o filósofo Zygmunt Bauman, que acreditava que, na modernidade, o indivíduo passou a ligar o conceito de poder com o ato de comprar produtos. Com isso, a sociedade foi estimulada a consumir desenfreadamente, na tentativa de sentir-se valorizada. Nesse contexto, uma população que não é financeiramente educada, por não ter real noção da quantidade de dinheiro, é mais impactada pelo ideal do consumismo, perpetuando-o por tender a não conseguir mensurar seus próprios gastos. Logo, a educação financeira é importante, pois configura-se como uma solução ao consumo exacerbado.
Entretanto, a falta de abordagem do tema por parte da escola prejudica que os brasileiros beneficiem-se com ele. Nesse sentido, analisa-se Immanuel Kant, filósofo prussiano que entendia que o homem é tudo aquilo que a educação faz dele. Sob esse prisma, destaca-se que, sem o ensino nas escolas da correta gestão do capital, é improvável que os discentes consigam realizar tal ato de maneira eficiente. Consequentemente, ao tornarem-se adultos, estarão mais propensos a adquirir dívidas, conforme aponta pesquisa realizada pela SPC Brasil, que estima que cerca de 41% da população adulta brasileira possuía alguma conta atrasada em 2018. Então, a ineficaz política educacional financeira impede que os indivíduos desfrutem de seus benefícios.
Depreende-se, portanto, a educação financeira como uma questão a ser estimulada na vida dos brasileiros. Sendo assim, compete às escolas, como instituições formadoras de cidadãos, trabalhar, desde o Ensino Fundamental I, esse assunto com seus discentes. Isso seria realizado por meio da adoção de aulas que proponham atividades lúdicas, direcionadas para cada faixa etária, visando despertar o interesse das crianças em aprender a gerir seu próprio capital. Dessarte, menos famílias iriam à falência devido ao consumismo, como ocorreu com as irmãs Wilson em “As branquelas”.