A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/11/2021

A série coreana “Squid Game” (“Round 6” no Brasil) retrata a realidade de diversos indivíduos que vivem em Seul com dívidas que ultrapassam milhões de dólares e aceitam o convite de participar de um jogo que poderia quitar totalmente suas pendências financeiras. Entre cada fase dos seis jogos, os “jogadores” são mortos conforme perdem e o número de pessoas que concorrem ao prêmio total diminuem, logo, os personagens principais se deparam com um dilema cruel: até que ponto eles continuariam jogando pelo dinheiro? No contexto nacional atual, indivíduos com divídas de grande proporção ainda sofrem com a educação financeira em suas vidas, mesmo após quitar estas divídas. Isso ocorre, pois faltam conhecimentos gerais sobre o assunto e, também, existe uma carência de ensino sobre finanças em quase todas as escolas do Brasil.

Nessa perspectiva, acerca da lógica referente a educação financeira, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à omissão estatal neste caso. Segundo o SPC Brasil (Serviço de Proteção de Crédito), o Brasil apresenta cerca de 62,6 milhões de pessoas que terminam o ano com contas atrasadas e o CPF negativado e, mesmo diante desse cenário alarmante, a assistência oferecida pelas instituições federais, quando oferecidos, não são, na maioria das vezes, eficazes. Isso acontece pela falta de investimento público na educação financeira desde o início do ensino médio. Consequentemente, muitos indivíduos sofrem perdas significativas de sua renda por não saber como lidar com a mesma, sobretudo aqueles não tiveram acesso a uma educação de qualidade, logo, não são devidamente auxiliados, contribuindo para a sua progressiva marginalização perante o corpo social.

Paralelamente ao descaso das esferas governamentais nessa questão, é fundamental o debate acerca da educação financeira introduzida desde o ensino fundamental no Brasil, uma vez a raiz deste problema está centralizada na escassez de aulas sobre o assunto. Este quadro de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, de Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que, para a refutação da teoria do sociólogo polonês, essa problemática seja revertida.

Urge, portanto, que o Ministério da Educação coopere para mitigar a falta da educação financeiras nas escolas do Brasil. Cabe aos cidadãos repudiar a ausência deste conteúdos nas escolas de suas comunidades, por meio de protestos capazes de desconstruir a prevalência desta prática. Ao Ministério Público, por sua vez, compete promover aulas deste tópico para extinguir futuros problemas financeiros na sociedade. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, alçará um Brasil com uma maior taxa de ensino e um futuro com menos crises financeiras.