A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/11/2021

A educação financeira não pode ser vista, hodiernamente, como uma mera questão de escolha por parte de pais e instituições de ensino responsáveis pela criança. Em tempo, a sua imprescindibilidade precisa ser avaliada com base em suas responsabilidades quanto ao desenvolvimento da autonomia dos brasileiros, visto que a sua ausência apresenta impedimentos para o pleno desenvolvimento e avanço da sociedade. Nesse sentido, é preciso avaliar a situação no tocante a necessidade de seu ensino, seja visando não repetir erros e crises marcantes na história brasileira, seja promovendo melhorias na administração financeira pessoal e na qualidade de vida.

Em primeira análise, a educação financeira possibilita o discernimento e reconhecimento de práticas monetárias benéficas ou não, com base em aprendizados de acontecimentos passados da história brasileira. A título de exemplo, a destacável crise do encilhamento na Primeira República foi viabilizada, sobretudo, devido a intensa emissão de papel moeda, a qual não correspondia com o respectivo tesouro nacional, criando um ambiente de extrema inflação e instabilidade. Nesse sentido, dadas as experiências negativas da medida implementada, tal prática pôde ser evitada e tida como inadequada para os governos seguintes, ensinamento análogo ao proposto pelo filósofo político Confúcio: não corrigir nossas falhas seria o mesmo que cometer novos erros.

Em segunda análise, a educação financeira torna-se essencial não somente em contextos nacionais, como também em contextos cotidianos e individuais, à medida que os conhecimentos pecuniários adquiridos proporcionam ao sujeito extrair os melhores proveitos, o que promove, consequentemente, uma maior qualidade de vida. Ademais, com instruções monetárias desde a juventude, o indivíduo passa a ter maior controle sobre seus próprios gastos e sobre sua própria renda, acompanhando minuciosamente as possibilidades de despesas instantâneas ou investimentos futuros. Entretanto, tal compreensão financeira apresenta-se distante da atual realidade apresentada pela pesquisa “Educação financeira na escola beneficia toda a família” do Senado Federal, a qual aponta que  menos de dez por cento dos brasileiros aprenderam com suas escolas ou com seus pais a administrar a própria renda.

Portanto, é importante resolver as instâncias que envolvem a problemática. Nesse sentido, urge que os responsáveis pelos jovens - importantes agentes em sua formação - dediquem parte de seus ensinamentos voltados ao controle monetário das crianças, assim como suas instituições de ensino básico ampliem atividades que simulam possibilidades de gasto de renda - como por meio de exercícios interdisciplinares a matemática -, visando, ambos os agentes, uma consciente administração pecuniária desde cedo.