A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 18/11/2021
No livro Pai Rico Pai Pobre, Robert Kiyosaki retrata que cresceu sob a influência de duas figuras paternas: seu pai biológico e o pai de seu amigo Mike. Ao longo da narrativa, o autor contrasta os ensinamentos financeiros defendidos pelo segundo, o pai rico, com as crenças e tabus proferidas pelo primeiro, o pai pobre. Embora seja uma obra americana, o livro apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como o pai pobre, a população brasileira desconhece os benefícios associados a uma educação financeira de qualidade. Dentre as causas que contribuem com esse problema, destaca-se não só o legado histórico dos períodos de hiperinflação, como também o tabu associado ao tema.
Nessa perspectiva, cabe pontuar que hábitos financeiros oriundos da década de 80 ainda estão presentes na sociedade contemporânea. Ao longo desse período, que também é conhecido como “a década perdida”, a hiperinflação girava em torno de 80% ao mês. Consequentemente, com o objetivo de evitar a desvalorização do seu poder de compra, a população brasileira era obrigada a utilizar todos os seus recursos em um curto espaço de tempo, desenvolvendo, assim, péssimos hábitos financeiros que se perpetuam até os dias atuais.
Ademais, todo esse legado histórico encontra terra fértil no tabu associado à educação financeira presente no Brasil. Na obra “Os segredos da mente milionária”, Harv Eker descreve que o primeiro passo em direção à instrução financeira se resume a modificar nossas crenças sobre o dinheiro. De acordo com o autor, crescemos ouvindo fases como “o dinheiro é a fonte de todo mal” e, consequentemente, perpetuamos esse tipo de falácia para gerações futuras. Assim, dialogando com as ideias do escritor, constata-se que o tabu associado ao tema dificultada a inclusão de assuntos relacionados ao mundo financeiro no debate público.
Portanto, diante dos desafios supracitados, pode-se inferir que a falta de educação financeira na sociedade brasileira é um tema relevante e que carece de soluções. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelos assuntos relacionados à educação e cultura em território nacional, promover campanhas publicitárias, por meio das mídias televisivas e sociais, que tenham por objetivo demonstrar os benefícios de uma educação financeira de qualidade. Tal medida tem por finalidade desconstruir tanto as crenças oriundas da “década perdida”, como também o tabu associado ao tema. Só assim, teremos mais brasileiros com ideias semelhantes às ideias defendidas pelo Pai Rico.