A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 04/01/2022
A série sul-coreana Round 6 relata a trajetória de endividados que aceitam participar de um jogo mortal, pois a vitória garantiria um prêmio bilionário. Todavia, apesar do exposto ficcional, nota-se que, assim como na produção estrangeira, milhares de brasileiros sofrem com um déficit monetário ocasionado pela ausência de ensino financeiro. Destarte, evidencia-se o consumismo, potencializado pela mídia, e o fracasso de políticas públicas, como fatores fundamentais para o índice elevado de dívidas no país.
Sob esse viés, destaca-se a disposição midiática a estimular o consumo desenfreado como uma das causas do insucesso da educação monetária brasileira. Nessa situação, consoante Adorno e Hokheimer, filósofos da Escola de Frankfurt, a indústria cultural é responsável pelo cultivo de falsas necessidades psicológicas, que só podem ser atendidas por produtos do capitalismo. Desse modo, a maioria dos brasileiros não poupa dinheiro para usá-lo competentemente, visto que, manipulados por anúncios, pensam apenas em adquirir produtos e serviços desnecessários.
Outrossim, salienta-se a ineficácia da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), que apesar de estar em vigor desde 2010, falhou em seu objetivo de incluir inteligêngia econômica na grade curricular das institui-ções de ensino. Nesse contexto, segundo Émile Durkheim a escola é o mecanismo secundário de socialização, responsável por conceder valores e ensinamentos. Contudo, a lacuna educacional no âmbito da consciência monetária corrobora para que a sociedade não saiba administrar seu dinheiro, uma vez que não há o ensino disso durante a infância.
Portanto, com o intuito de promover uma educação financeira de quali-dade, é imprescindível que o Ministério das Comunicações realize ações informacionais. Dessa maneira, por meio de campanhas na mídia, que alertem sobre o perigo do consumismo, conscientizará todos. Ademais, o Ministério da Educação deve realizar projetos pedagógicos, por intermédio de aulas sobre inteligência monetária em escolas, ministradas por economistas. Assim, a obra sul-coreana representará apenas uma ficção.