A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 19/11/2021
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nessa concepção, a afirmação atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir é claramente aplicável à situação da frágil educação financeira, ao considerar que mais grave que sua ocorrência é a indiferença da sociedade perante a questão. Desse modo, milhares de brasileiros, em virtude da pouca habilidade em administrar o próprio dinheiro tem sofrido com o endividamento, o que precisa urgentemente ser combatido. Com efeito, há de se deliberar como falta de ensino e a linguagem midiática têm influência na questão.
Diante desse cenário, a inexistência de estudos pedagógicos voltados para a educação financeira é uma das principais causas do problema. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na obra “Globalização e consequências humanas”, disserta que a sociedade caminha para uma desordem mundial, causada, sobretudo, pela falta de controle do Estado. Nessa visão, a modesta participação do governo em prover, ainda nas escolas, educação financeira vai de encontro aos ideais na nação: “Ordem e Progresso”, haja vista que sem uma educação especifica na área financeira os indivíduos são facilmente compelidos a comprar objetos supérfluos e ficar negativado no mercado. Diante disso, é incoerente, perante tantas ferramentas tecnológicas - na internet - para educação financeira, que esse cenário se perpetue.
Ademais, em segundo plano, a linguagem coerciva da mídia figura outro desafio. Acerca disso, o filósofo Michel Foucault declara que toda linguagem é dotada de ideologia, e exerce sobre o indivíduo um controle denominado “Controle simbólico”. Nessa ótica, o consumo é o objetivo principal do “marketing” das grandes indústrias, haja vista que esse sistema veicula um consumo praticamente obrigatório diante das vantagens oferecidas. Por conseguinte, o consumidor atraído por esses produtos utiliza-se de créditos e de empréstimos para adquirir, em não raros casos, produtos dispensáveis, o que tem favorecido na atualidade a expansão do consumidor inadimplente. Assim, é indispensável uma educação financeira para que os brasileiros não se submetam à gastos desnecessários.
É mister, portanto, que a educação financeira no Brasil seja uma prioridade. Para tanto, o Congresso Nacional - instituição responsável por criar e aplicar a lei - deve, por meio de um plenário na câmara, submeter a discussão e a votação um projeto de lei denominado “Educação financeira para todos”, para que seja obrigatório nas escolas do ensino médio uma disciplina específica para essa questão. Essa medida terá por objetivo facilitar a administração dos recursos financeiros pelo próprio indivíduo, para que seu uso ocorra de forma consciente. Feito isso, a falta de educação financeira deixará de ser, conforme delata Beauvoir, um escândalo.