A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 19/11/2021

No romance “A Falência”, de Júlia Lopes de Almeida, destaca-se Francisco Teodoro, um empresário português que, ao aventurar-se pelo mercado de ações, perde todo o seu patrimônio e, por conta disso, comete suicídio. De modo análogo à situação enfrentada pelo personagem citado, muitos brasileiros encaram diversos problemas devido à falta de educação financeira. Portanto, faz-se crucial entender como a carência desse tipo de conhecimento e a banalização de reveses econômicos pessoais se coadunam para promover o impasse.

Sob esse viés, deve-se destacar como um dos principais fatores motivadores desse óbice o ausente ou insuficiente ensino de educação financeira nas escolas. Apesar da implementação, em 2020, de seu ensino na Base Nacional Comum Curricular, não haverá obrigatoriedade de uma disciplina específica para o tema, o que pode ser insuficiente para a plena formação de cidadãos aptos a enfrentarem problemas econômicos reais, visto que os professores, como os de matemática, não tiveram como foco em suas formações, a abordagem de tais áreas, que têm destaque nas ciências econômicas. Dessa forma, fazem-se necessárias outras formas de abordagem do tema no âmbito escolar com o fito de alcançar a adequada educação econômica financeira dos discentes do país.

Ademais, vale também evidenciar que figura como agravante o comportamento cultural brasileiro em banalizar questões como a inadimplência. Entra em foco a reflexão da filósofa Hannah Arendt sobre o conceito de “Banalização do Mal”, em que o “mal”, quando frequentemente é apresentado na sociedade, torna-se, aos olhos do povo, algo banal. Nesse contexto, a importância de ações como a poupança de dinheiro para o caso de possível desemprego e os cálculos de juros na compra parcelada de produtos e serviços é minorada. Desse modo, a comunidade encontra-se desprevenida quanto a emergências que porventura possam acontecer.

Urge, dessarte, que o Ministério da Educação majore a instrução dos estudantes por intermédio da promoção de palestras por profissionais especialistas em finanças nas escolas de todo o país. Outrossim, o Ministério da Economia, junto com a mídia, deve instruir a população adulta a como melhor administrar suas reservas e investimentos por meio de ampla divulgação midiática de propagandas e debates em televisões, rádios e jornais. Decerto, com tais medidas supracitadas postas em prática, estará a nação brasileira dando a importância adequada à educação financeira.