A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 19/11/2021

Educação Financeira Perante a Sociedade Capitalista

Na obra do autor Machado de Assis, Quincas Borba, é apresentado o personagem Rubião, que acaba de herdar uma fortuna e, sem saber como controlar seu dinheiro, muda de cidade, e lá faz compras, investimentos e empresas gastando sem consciência seu dinheiro por influência de falsos amigos e acaba perdendo tudo. Fora da ficção, milhares de brasileiros passam pela mesma situação do personagem ao não terem uma boa educação financeira, sendo um sério problema devido à vivência em uma sociedade capitalista que visa o lucro e a venda de diversos produtos desnecessários ao povo.

Em primeira análise, cabe citar a vida mercadológica em que os brasileiros vivem, ou seja, uma economia neoliberal do século XXI. Nesta, que prioriza o lucro acima de tudo, se acaba por criar uma população compradora servente a uma indústria cultural, conceito criado pela Escola de Frankfurt, com os sociólogos Adorno e Horkheimer, que evidencia a necessidade de vender acima da de criar arte e utilitários para a população. Sendo assim, acaba por gerar uma obsolescência programada em diversos itens do dia a dia, ou seja, criam produtos fracos, para durarem pouco, para assim, se ter a necessidade de serem rapidamente substituídos por outros semelhantes.

Em segunda análise, é de extrema importância evidenciar que, uma vez vivendo nesta realidade consumista, se acaba criando uma sociedade do espetátulo, conceito do sociólogo Guy Debord, o qual mostra que se está construindo cada vez mais vidas baseadas em aparências, ou seja, em mostrar seu poder aquisitivo para o outro, com roupas, sapatos, acessórios, automóveis e itens tecnológicos sempre em melhores condições que de seu próximo. Logo, isso mostra a séria e direta consequência da falta de uma educação financeira social, que é o consumismo exacerbado e muitas vezes desnecessário em base no que está na moda e é considerado de maior prestígio e melhor qualidade de vida perante os olhos do corpo social apenas por ser o lançamento mais novo de determinada marca.

Portanto, fica a mostra a extrema preocupação com a falta da educação financeira na vida do cidadão numa sociedade como a atual. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação (MEC), órgão governamental responsável pela Base Nacional Comum Curricular das escolas brasileiras, promoção de palestras e aulas sobre a importância da educação financeira já na adolescência, com auxílio de profissionais especialistas na área, para que assim o país consiga criar futuros compradores conscientes, diminuindo assim, a taxa de “Rubiões” machadianos pelo Brasil.