A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 20/11/2021

A constituição brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 23º, o direito a educação e à tecnologia como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a educação financeira na vida do cidadão brasileiro, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de interesse e envolvimento das insticuições de ensino em apresentar aos alunos, desde cedo, caminhos para utilizar de maneira eficiente seus salários. Nesse sentido, a carência de meios que mostrem a importância de aprender sobre o mercado financeiro, com a finalidade de motivar as pessoas, torna o crescimento econômico do Brasil, cada vez menos promissor, gerando, além disso, um aumento no número de pessoas endividadas, com pouco ou nenhum conhecimento financeiro. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos brasileiros desfrutem desse direito indispensável.

Ademais, é fundamental apontar a falta de tecnologia como impulsionadora desse problema. Em 2019, a emissora (GLOBO) realizou uma entrevista com 100 pessoas que deveriam responder se as escolas em que estudaram possuíam recursos como: computadores, internet e sala de informática; somente 20% dessas pessoas afirmaram ter tido acesso, 30% responderam que tinham pouco acesso e os outros 50% alegaram não terem tido nenhum acesso. Diante de tal exposto, nota-se a desatualização das instituições de ensino em prover recursos para facilitar o aprendizado dos estudantes, tornando a educação financeira uma realidade distante.

Depreende-se portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo, juntamente com o MEC ( Ministério da educação), por intermédio de políticas públicas, promovam o projeto “aprendendo finanças”- em que os alunos teram acesso a conteúdos de ensino de educação financeira (independente da idade), além de disponibilizar materiais impressos nas escolas que se encontram sem acesso à tecnologia- a fim de incentivar o interesse e ensinar educação financeira para todos os cidadãos brasileiros. Assim, se consolidará uma sociedade mais igualitária, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como John Locke.