A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 20/11/2021

No filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, Becky é compradora compulsiva e adquire inúmeras dívidas por conta das suas compras. Apesar de ficcional, a realidade assemelha-se a obra, já que a educação financeira não é valorizada e, com isso, muitos cidadãos entram em uma situação de aperto econômico. Logo, tanto o sistema capitalista vigente, quanto a falta de conhecimento são fatores que contribuem para o problema persistir.

Nessa perspectiva, é importante salientar que segundo Gilles Lipovetski, em sua teoria da “Hedonização do Consumo”, a civilização pós-moderna é movida pelo prazer do ato de consumir. À vista disso, a dificuldade em aplicar os princípios da educação monetária encaixa-se na ideia do filósofo francês, uma vez que, inseridos em uma ordem capitalista na qual a publicidade está presente em todos os momentos da rotina, a vontade de comprar tornou-se uma prática, geralmente, impulsiva e que extrapola a necessidade. Desse modo, nota-se que as pessoas não conseguem manter uma organização financeira, devido ao comportamento consumista e à necessidade de atender aos padrões sociais impostos.

Ademais, é válido ressaltar que de acordo com Aristóteles, os erros são consequências da ignorância humana. Nesse sentido, o grande índice de indivíduos endividados vai de encontro ao pensamento do filósofo grego, visto que, ainda que seja recomendada pelo Governo Federal, a educação financeira não é aplicada de maneira eficiente nas escolas. Dessa forma, percebe-se que, quando começam a ter que lidar com o dinheiro, os estudantes estão completamente despreparados e, com isso, muitas vezes, tornam-se incapazes de administrar os próprios recursos e de entender o funcionamento do mundo.

Portanto, soluções são necessárias a fim de garantir a aplicação pratica da educação financeira na vida dos cidadãos. Para tanto, cabe a mídia, principal formadora de opinião, abordar com veemência o tema, por meio da divulgação de propagandas e da veiculação de novelas que abordem o assunto, com o objetivo de evidenciar o impasse e de instigar hábitos mais racionais e sustentáveis. Outrossim, as instituições de ensino, responsáveis pela formação intelectual de crianças e de jovens, devem ofertar aulas mais cativantes, mediante o uso de metodologias mais ativas e de recursos digitais, além de conectar o conteúdo com situações do cotidiano, com o fito de promover uma conduta mais inteligente e responsável. Destarte, histórias como a de Becky Bloom serão contadas apenas no cinema.