A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 09/12/2021
O filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom” retrata a narrativa da protagonista Rebecca, uma mulher que, pelo seu hábito de consumo inconsequente, teme o acúmulo de suas dívidas financeiras. Infelizmente, a ficção não difere-se da realidade brasileira, na qual os cidadãos apresentam dificuldade e relutância ao lidarem com aspectos econômicos no cotidiano e, devido a lacuna informacional sobre as premissas de pagamento, geram seu endividamento.
De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, rompe-se com tal lógica no Brasil. Isso ocorre, porque as autoridades governamentais não inserem a educação financeira como disciplina obrigatória no âmbito escolar. Com isso, a transição de muitos jovens para a vida adulta torna-se desafiadora, mediante à desinformação do controle de gastos, visto que, ao tratar sobre o assunto, desencadeia-se uma série de transtornos psíquicos, como ansiedade e insônia. Por essa razão, surge a associação negativa à temática de planejamento monetário.
Ademais, no livro “Sociedade do Espetáculo” as pessoas estão preocupadas em realizarem um show expondo apenas o melhor de si. Nesse sentido, é fato que a arte se enquadra no cotidiano dos brasileiros por exemplificar a constante compra exacerbada de produtos, a fim de se encaixarem no padrão definido pela moda momentânea. Dessa forma, o método de pagamento através do cartão de crédito tornou-se popular, em razão do parcelamento. Entretanto, as taxas de juros e impostos como o IOF são abusivos, sendo designados nas entrelinhas do contrato de serviço e, assim, diversos indivíduos são afetados pela precária visibilidade, ocasionando situações de “nome sujo” e de “bola de neve”, que é o acúmulo progressivo geométrico no valor das contas.
Infere-se, portanto, a necessidade de adotar medidas que visem informar a população, com o intuito de mitigar tal problemática. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação incluir o conteúdo financeiro no ensino escolar, através de aulas ministradas por especialistas em Economia, no propósito de formarem pessoas responsáveis e cientes durante as compras. Além disso, é de efeito relevante a participação do Estado com a disponibilização de cursos gratuitos de estratégias em investimentos, focando no público da maioridade para atenuar o receio ao manuseio de capital. Somente assim, a sociedade brasileira poderá usufruir do direito previsto na Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 3º, a garantia de erradicar a pobreza, pelo conhecimento da importância educativa financeira.