A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 12/05/2022

" Olhos que olham são comuns. Olhos que veem são raros". A máxima do escritor Oswald Sandews revela a cegueira da sociedade pós-moderna frente aos imbróglios que o assalam. Nesse sentido, é impreenscíndível relacionar tal cegueira ao desalador cenário da educação financeira, potencializado tanto pela falta de investimento estatal quanto pelo endividamento da população. Logo, faz-se cabível uma democrática discussão acerca desses impasses, a fim de mitigar a cegueira hipócrita que está consolidada na coletividade brasileira.

Em uma primeira análise, evidencia-se a falta de investimento governamental como uma das causas da persistência do problema no país. Desse modo, segundo o filósofo contratualista John Locke, a falta de investimento na área educacional configura-se como uma violação do controle social, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como

o de ter acesso à educação, o que é, infelizmente, evidente no país.

Além disso, é notório que houve um maior endividamento da população. Sob essa ótica, o filme " Os deliríos de consumo de Becky Bloom" , retrata Rebecca, uma mulher que, devido ao seu consumo desenfrado, acaba se endividando e teme o esclarecimento de suas dívidas acumuladas. Então, fora da ficção, vê-se que esse cenário é presente na sociedade contemporânea. Sendo assim, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento médio das famílias brasileiras em 2021, foi maior nos últimos 11 anos, atingindo 70,9%, comprovando, assim, o retratado no filme.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham ampliar a educação financeira no país. Desta maneira, o Estado, por meio de verbas governamentais, deve investir no fornecimento de uma educação financeira de qualidade, por meio de aulas nas escolas com professores especializados, tornando economia uma matéria obrigatória, a fim de diminuir os índices de endividados no Brasil. Assim, se consolidará uma sociedade mais consciente, na qual o Estado desempenhará corretamente seu “contrato social”, tal qual afirma John Locke.