A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 13/05/2022
O romance “Madame Bovary” retrata Emma Bovary, uma jovem desiludida e frustrada, que buscava no adultério e no consumo exacerbado, impossível de ser sustentado por sua condição e classe, uma fuga de sua vida medíocre. De maneira análoga, o consumismo perpassou a ficção e o tempo, afetando a sociedade contemporânea e explicitando a importância da educação financeira na vida do cidadão. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a implementação tardia do estudo sobre finanças na grade curricular brasileira e a falta de transparência das instuições financeiras em relação a juros e taxas.
Em primeira análise, evidencia-se a inexperiência das gerações passadas com o dinheiro e a ignorância sobre como gerir as próprias finanças, causada pela falta de educação financeira nas escolas. Sob essa ótica, segundo a ANBIMA, 40% dos brasileiros não poupam nenhuma quantia e 61,5% das famílias estão envididadas. Dessa forma, criamos um corpo social adulto que não sabe escolher, planejar e tomar decisões conscientes, cedendo ao consumismo.
Além disso, é notória a manipulação do comportamento das massas pelas instituições financeiras, que se aproveitam da falta de conhecimento dos indivíduos para enganá-los com juros e taxas abusivas, levando-os ao endividamento. Dessa forma, o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman afirma que o capitalismo transforma o ser humano em mera mercadoria e que o consumo se tornou o centro das nossas relações sociais e o propósito da existência de muitos. Consoante a isso, o homem do século XXI busca em bens materiais o prestígio social a todo custo, mesmo que para isso seja explorado por bancos e se endivide.
Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas que venham mitigar o entrave. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação criar o projeto “Saber Econômico”, a fim de capacitar os professores para o ensino financeiro, por meio de cursos e palestras com economistas e psicólogos, abordando o tema investimentos e análise do comportamento humano. Somente assim, os pedagogos poderão compreender seus alunos e passar de forma eficaz os ensinamentos sobre finanças à nova geração, evitando que casos como o de Emma Bovary se repitam no corpo social brasileiro.