A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 14/07/2022

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca da educação financeira na vida dos cidadãos. Esse assunto, infelizmente, não tem tido a devida importância, devido à normalização do endividamento e à negligência governamental. Desse modo, é imprescindível refletir e intervir em tais problemáticas em prol da plena harmonia social.

Efetivamente, conforme o conceito de “Banalidade do Mal”, trazido pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidencia a banalidade em relação à não ter educação financeira, configurando a trivialização da maldade que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nesse viés, percebe-se que a população normalizou o endividamento. Como consequência, as pessoas gastam mais do que ganham, já que o acesso ao crédito foi facilitado pelos novos bancos digitais.

Além disso, a negligência governamental representa um grande obstáculo para que a educação financeira seja vista como importante na vida da população. Nesse contexto, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos legais, como a Constituição de 1988, e pela cidadania apenas no campo teórico. Dito isso, pode-se afirmar que falta de educação financeira vai ao encontro do cenário postulado pelo jornalista. Essa situação ocorre devido à falta de matérias básicas de finanças estarem na grade curricular do ensino público. Consequentemente, os jovens formados não sabem conceitos básicos e necessários – como juros, inflação, tesouro direto e investimentos - para terem uma vida financeira saudável.

Portanto, cabe ao governo instituir um comitê gestor formado por um representante de cada área – Ministério da Educação e Economia. Essa ação se dará por meio de maior direcionamento de verbas para contratação de educadores financeiros para as escolas, implementação de matérias relacionadas a finanças básicas nas escolas e para campanhas informativas acerca da importância da educação financeira. Isso será feito a fim de remediar não somente a normalização do endividamento, mas também a negligência governamental.