A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 31/07/2022
O poeta Carlos Drummond de Andrade, no poema “No meio do caminho”, narra o momento angustiante do eu lírico ao lidar com uma pedra a qual impedia o caminho. Fora do contexto poético, o Brasil também se encontra diante de um obstáculo que o enfraquece na educação financeira. Esse empecilho persiste devido à cultura desvirtuada e à educação precária.
Em primeira análise, é importante pontuar que a cultura e seus costumes corroboram para o sucateamento dos valores de planejamento financeiro. Sobre isso, o sociólogo Émille Durkheim, na tese “fato social”, aborda como atitudes específicas são validadas pelo tecido social e por isso, mantidas e repassadas aos indivíduos. Nessa perspectiva, percebe-se que há um “jeitinho brasileiro”, fator social, também presente na irresponsabilidade econômica, isso ocorre porque há um imediatismo que enfraquece a organização futura. Essa situação é desastrosa, posto que uma consciência financeira e cultural é imprescindível para o avanço da economia a níveis pessoais e nacionais.
Ademais, é imperioso destacar que o precário ensino a respeito da importância de valores financeiros colabora para a desvalorização da educação holística. Acerca disso, o sociólogo Louis Althusser afirma que os mecanismos estatais são detidos pela “elite”, a qual orienta tais meios em benefício restrito e próprio. Nesse sentido, nota-se que no Brasil a ignorância, ocasionada pela falta de verbas em programas educacionais e disciplinas financeiras, é conveniente aos projetos dominantes da classe política e econômica, uma vez que sem o ensino econômico o povo permanece alheio e inerte aos seus direitos e deveres. Isso configura-se como uma problemática, uma vez que os meios para esclarecimento são detidos.
Diante dos fatos supracitados, medidas interventivas são necessárias. Para tanto, é preciso que o Governo Federal, mediante decretos presidenciais, sinalize em favor de projetos educacionais e financeiros, os quais garantam o conhe-cimento do cidadão sobre economia e contabilidade, por palestras virtuais e presenciais, a fim de enriquecer culturalmente o país. Além disso, cabe ao Poder Executivo destinar verbas diretamente para programas de educação financeira. Assim, o Brasil estará apto para superar a pedra de seu caminho.