A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 12/09/2022

A “Teoria da justiça”, de John Rawls, narra que um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores, o que resulta na igualdade. No entanto, ao se fitar a contemporaneidade brasileira, nota-se que há a prática do oposto dessa teoria, pois milhares de pessoas têm seus bens afetados pela falta de uma educação financeira. Sendo assim, tem-se a falha educacional e a ignorância familiar como desafios para a efetivação desse tipo de ensino.

Sob esse viés, vale ressaltar a existência de uma educação tecnicista ofertada aos alunos. Desse modo, de acordo com John Locke, o Estado tem o dever de garantir o acesso aos direitos básicos. Todavia, a prática está distante da teoria quando se trata do acesso à educação financeira, pois a escola atual limita o aluno a um contato raso com a instrução financeira, em matérias como Matemática. Assim sendo, o sistema de ensino não fomenta uma interpretação crítica do quadro econômico do país e nem uma educação prática a respeito do mercado.

Além disso, outro vetor recai sobre a pouca instrução financeira dos pais que, consequentemente, causa a falha no repasse aos seus filhos. Dessa forma, conforme Émile Durkheim, o indivíduo é construído socialmente a partir de seus aprendizados até a fase adulta. Nesse sentido, se uma criança cresce aprendendo que a educação financeira é algo irrelevante, ela também irá propagar isso nas práticas futuras da sua vida. Com isso, tem-se a formação de novas gerações que não sabem lidar com o dinheiro e difundem as açoes de inadimplência.

Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas públicas de ensino, deve instruir seus alunos, por meio da implementação da Educação Financeira como uma disciplina escolar, a fim de que haja a democratização desse ensino e cresça uma geração informada a respeito do assunto. Paralelamente, o Ministério da Economia, em parceria com empresas privadas, deve investir na educação financeira de pessoas adultas, por intermédio da promoção de cursos de finanças pessoais, para que estes possam aprender a controlar sua vida financeira e também estejam aptos a repassar tais ensinamentos aos seus filhos e assim a igualdade proposta por Ralws fique mais próxima de ser alcançada.