A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 05/11/2022

Na série sul-coreana “Round 6”, disponibilizada pela Netflix, um grupo de pessoas, com dificuldades financeiras, recebe um convite para participar de um jogo, no qual devem apostar suas vidas em troca de um prêmio bilionário. Fora da ficção, a atual conjuntura do Brasil é análoga a obra cinematográfica citada, visto que uma parcela significativa da população encontra-se inadimplente. Nesse viés, urge a análise das raízes dessa problemática e de suas consequências.

A priori, a condição de estar sempre em dívida foi banalizada pelos tupiniquins e perpetuada pela falta de educação financeira. Segundo o filósofo Michel Foucault, uma ação que é comum e repetida no meio social passa a ser normalizada. Sob essa perspectiva, é notório que a postura brasileira de fazer dívidas, sem planejamento orçamentário, naturalizou a situação de inadimplência. Ademais, a negligência estatal em promover o ensino financeiro nas escolas é responsável pela ausência de noção do brasileiro em lidar com o dinheiro. Logo, é evidente a necessidade de fomentar a instrução financeira desde a infância e desnaturalizar o estado de endividamento.

Por conseguinte, o excesso de dívidas prejudica a qualidade de vida do indivíduo. Isso é exemplificado na série supracitada, em que as personagens encontram-se tão endividadas que não conseguem pagar as contas básicas e vivem em estado constante de preocupação. Da mesma forma, ocorre na vida real, principalmente, no sistema capitalista, no qual o poder de compra determina o bem-estar que pode ser alcançado. Desse modo, para ter uma qualidade de vida digna, de acordo com o sistema vigente, é vital o uso racional do capital.

Portanto, é indubitável a importância da educação financeira no cotidiano do cidadão. Tendo isso em vista, cabe ao Ministério da Educação incluir o ensino financial como disciplina na Base Nacional Comum Curricular, por meio de aulas com professores especializados em economia e que realizem atividades práticas relacionadas ao uso do dinheiro. Tal ação tem o intuito de formar cidadãos que saibam usar o dinheiro de modo consciente e produtivo, como também, combater a naturalização do endividamento. Somente assim, o desespero de estar inadimplente ficará apenas na ficção.