A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 01/11/2022

“Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho (…) minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia (…)”. Esse trecho pertence a uma música da banda Mamonas Assassinas e cita o costume de se fazer compras parceladas, logo, sem possuir o dinheiro no ato. O dado hábito leva muitas pessoas às dívidas, visto que é uma promessa de pagamento e deve ser feita com responsabilidade, o que nem sempre acontece e revela a importância da educação financeira na vida da população.

Primeiramente, é importante citar que, em 1929, houve a quebra da bolsa de Nova Iorque após a promoção de grande expansão de crédito para a população despreparada, uma vez que não havia plena consciência econômica. Atualmente, grande parcela dos indivíduos ainda não sabe gerir o dinheiro corretamente, a exemplo dos brasileiros, dos quais muitos possuem o CPF negativado por não pagarem corretamente suas dívidas. Tais despesas são, em grande parte, advindas do uso de cartão de crédito, corrobora um estudo da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, o qual revelou que o cartão de crédito foi responsável pelo endividamento de 72% dos moradores do Rio de Janeiro e de São Paulo em 2022.

Ademais, a histórica cultura de pobreza no Brasil também impulsiona a grande dificuldade enfrentada pelos cidadãos ao lidarem com questões financeiras. Desde o período colonial, o brasileiro convive com certa escassez de recursos, posto que as riquezas sempre estiveram detidas na mão da minoria. Portanto, não detêm a responsabilidade econômica que hoje necessitam, tendo em vista que a formação da educação financeira é obstaculizada caso não haja o que administrar. Destarte, nota-se a carência de uma matéria voltada para a área nas escolas. De acordo com o economista americano James Heckman, o investimento na educação tem retorno garantido. Sob essa ótica, fomentar a conscientização monetária na população trará retornos positivos, uma vez que cidadãos que sabem gerir seu próprio dinheiro sempre terão capital para gastar e aquecer a economia do país.

Por fim, infere-se a necessidade de alterar esse cenário. Para isso, o Ministério da Educação, o qual é responsável pelas políticas educacionais, deve estimular a educação econômica por meio de sua implementação como matéria obrigatória nas escolas. Dessa forma, os cidadãos crescerão com consciência monetária.