A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 04/11/2022

Em sua obra “O Leviatã”, o filósofo Thomas Hobbes disserta acerca da obrigatoriedade do Estado de proporcionar meios que auxiliem no progresso do corpo social. Todavia, na sociedade brasileira contemporânea, verifica-se um cenário destoante do abordado, uma vez que a importância da educação financeira na vida dos cidadãos permanece como uma temática não discutida. Essa situação se dá em decorrência de uma ineficácia educacional e também da omissão familiar.

Com efeito, deve-se pontuar que a precariedade do ensino não é um impasse hodierno. Desde o século XX, com a implementação de um formato tradicionalista de ensino pelo ex-presidente Getúlio Vargas, enraizou-se na sociedade um modelo pedagógico que ocorre em detrimento de temas transversais, como o estudo de finanças. Sob essa ótica, o desconhecimento populacional acerca da educação financeira possibilita que indivíduos de má índole se beneficiem, fomentando práticas consumistas muitas vezes indesejadas pelos compradores. Dessa forma, o Estado negligencia o ensino eficiente, permitindo a perpetuação do problema.

Ademais, a ausência de instruções acerca da educação financeira no seio familiar também se revela como um fator agravante. Parafraseando o filósofo John Locke: “o homem nasce como se fosse uma folha em branco”. Partindo desse pressuposto, a escassez de debates sobre finanças no núcleo primário para a construção da formação social do indivíduo se revela como um entrave, uma vez que não ocorre o estímulo ao pensamento crítico. Sendo assim, a compreensão desse cenário proporciona uma ferramenta essencial para combater esse impasse.

Diante dos argumentos supracitados, torna-se necessária a ação do Estado, por meio do Ministério da Economia, objetivando a fiscalização de estabelecimentos comerciais, aplicando multas e sanções quando constatado sua má índole para com o consumidor. Além disso, as verbas obtidas com as penalidades devem ser destinadas ao Ministério da Educação, que há de formar grupos pedagógicos com os pais dos alunos, visando sua conscientização sobre a importância da educação financeira no núcleo familiar. Por fim, a alteração da grade curricular deve ser realizada pelo mesmo ministério, reestruturando-a para a inserção adequada do ensino de finanças na escola, auxiliando assim no progresso do corpo social.