A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 12/02/2023

A Constituição de 1988, documento mais importante do país, reconhece a todo brasileiro o direito à educação, cujo conceito abrange inclusive o conhecimento ad-vindo da seara das finanças. Faz-se mister que os cidadãos sejam financeiramente educados, de modo que possam se proteger da má gestão econômica estatal e do ímpeto consumista, bem como garantir a concretização dos demais direitos funda-mentais.

Lamentavelmente, a história do Brasil demonstra que o povo padece com altos índices inflacionários, em virtude da ineficiência das políticas macroeconômicas adotadas pelo Estado. Consequentemente, bens e serviços encarecem, e o poder aquisitivo da população diminui, sobretudo dos mais carentes. Assim, é estorvado o acesso a direitos fundamentais, como saúde, lazer e alimentação, dado que a fruição desses direitos normalmente exige o dispêndio de pecúnia. Segundo John Locke, configura dever estatal a tutela dos direitos naturais, caso contrário fracassa o Estado em sua atribuição. Diante disso, o Estado perde a única razão de sua exis-tência. Nesse sentido, a educação financeira se apresenta como uma forma de o próprio cidadão se proteger das consequências negativas das políticas econômicas vigentes.

Ademais, parte considerável da população brasileira se encontra no cadastro de inadimplentes. Infelizmente, tal conjuntura é consequência da má gestão estatal, além da influência negativa que a sociedade consumerista exerce sobre as pesso-as. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade dos consumidores estimula o gasto de seus recursos com experiências e sensações frívolas, em prol do entretenimento. Assim, aqueles que não estão preparados para ela, na medida em que não receberam educação financeira apropriada, acabam desperdiçando somas importantes com bens e serviços inadequados.

A partir disso é possível concluir que a educação financeira é necessária aos ci-dadãos, devendo ser promovida nas escolas públicas e privadas, por exigência do Ministério da Educação, mediante portarias, a fim de resguardar os brasileiros fi-nanceiramente. Somente assim, possibilitar-se-á o pleno gozo dos direitos funda-mentais previstos na Constituição por todos os brasileiros.