A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 15/06/2023
Na obra “Brasil: uma biografia”, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as principais características da sociedade brasileira, destacando-se “a difícil e tortuosa construção da cidadania”. Nesse viés, embora o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê, não se concretiza. Isso é evidenciado no déficit da educação financeira na vida dos cidadãos brasileiros, tendo em vista que apesar de todos possuírem o acesso à educação como direito constitucional, a negligência governamental e a educação ineficiente impedem esse processo.
Nessa perspectiva, é importante ressaltar a baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que promovam a educação monetária. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à carência de medidas pragmáticas, muitos brasileiros estão endividados, o que resulta na diminuição do poder de compra e, por conseguinte, reduz a qualidade de vida desses cidadãos.
Além disso, a omissão perante à restrição da cidadania por parte dos brasileiros provém de um ensino ineficaz e muitas vezes inexistente, que acarreta na falta de conhecimento sobre os direitos individuais. No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, acabava sendo explorado e humilhado por aqueles que detém o saber. Nesse sentido, a falta de informações, no que tange à educação financeira, torna o indivíduo um ser dependente, o que impede a sua autonomia na tomada de decisões dentro do mercado de trabalho. Dessa forma, a ampliação do acesso à educação monetária é imperativa para a formação de uma sociedade mais igualitária.
Destarte, medidas são necessárias para resolver o impasse. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação (MEC) realizar, por meio de verbas governamentais, palestras sobre finanças pessoais nas comunidades locais. Ademais, precisa-se que a sociedade civil organizada pressione o Estado a cumpri-lo, a fim de democratizar o acesso ao conhecimento. Assim, espera-se que a educação financeira seja assegurada na vida dos cidadãos brasileiros.