A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 28/07/2023
A Constituição Federal de 1988 – conjunto de normas que rege e que organiza o funcionamento do Brasil – garante, conforme o artigo 205º, o direito à educação. Esse princípio, no entanto, não é colocado em prática, uma vez que, apesar de sua enorme importância, a educação financeira é desvalorizada. É crucial entender como a lacuna educacional e a negligência governamental tonificam esse impasse.
Em primeiro lugar, é imprescindível ressaltar que a omissão escolar fortalece o empecilho. O célebre sociólogo Edgar Morin, a esse respeito, defende um método pedagógico pautado na pluralidade de saberes. Essa máxima do intelectual francês, entretanto, vai de encontro à realidade brasileira, visto que muitos colégios, por possuírem um sistema tecnicista, negligenciam, nas aulas, os ensinamentos quanto à essencialidade do uso consciente dos recursos financeiros. Isso, consequentemente, contribui para que os discentes, vítimas de uma falha educativa, utilizem o dinheiro de maneira irresponsável, o que é capaz de fomentar, no futuro, um nefasto quadro de endividamento.
Além disso, é impreterível destacar a displicência estatal e a sua influência na questão. Diante disso, segundo o insigne filósofo Thomas Hobbes, o Estado é incumbido de assegurar o progresso coletivo. Esse raciocínio hobbesiano, porém, é secundarizado, dado que a máquina pública não adota ações que seriam capazes de, substancialmente, erradicar a desvalorização da educação financeira, como a criação de cursos gratuitos que visem à instrução da população no que tange à utilização ciente do capital.
Portanto, é primordial desconstruir as bases do contratempo. Para tanto, o Ministério da Educação – órgão responsável pelo avanço do ensino brasileiro – deve, por meio de uma alteração na Base Nacional Comum Curricular, introduzir, nas escolas, uma disciplina voltada à importância dos cuidados com o dinheiro visando à garantia de um pleno bem-estar monetário aos estudantes. Ademais, cabe à administração pública criar “workshops” em relação à essencialidade da formação financeira do círculo social. Feito isso, atenuar-se-ão as origens desse obstáculo, e ter-se-á uma sociedade permeada pela efetivação da premissa constitucional relativa à educação.