A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 13/09/2023
Na obra “Quincas Borba”, de Machado de Assis, o protagonista Rubião, após her-dar a fortuna de seu amigo, muda-se para a corte carioca e começa, gradativamen-te, a dissipar toda sua riqueza. O episódio em xeque não se restringe à ficção, atin-gindo, hoje, milhões de brasileiros, os quais, assim como Rubião, não possuem uma educação financeira adequada para lidar com suas finanças. Nesse prisma, pode-se destacar: a cultura hedonista contemporânea associada ao consumo e a falta de autonomia dos indivíduos no que tange ao controle sobre seu dinheiro.
Em primeira análise, cabe explicitar que o Epicurismo, corrente filosófica romana a qual elencava a busca por prazeres como basilar para a impassibilidade da alma, está muito presente na atualidade; porém, transfigurado. Se, antes, o “prazer” estava associado à busca pelo conhecimento, hoje, ele é relacionado, em especial, ao consumo. Um exemplo dessa óptica é a música “Chopis Centis”, dos Mamonas Assassinas, cujo refrão enuncia: “a minha felicidade é um carnê das Casas Bahia”. Dessa forma, evidencia-se que, no Brasil moderno, há um hedonismo relacionado ao ato de consumir, o que leva milhões de brasileiros ao endividamento, pois, buscando o prazer, acabam gastando mais do que realmente podem.
Outrossim, a falta de autonomia dos indivíduos em relação a suas atividades econômicas corrobora o descontrole financeiro. Para ilustrar isso, é válido citar o episódio da obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, em que Fabiano, ignorante sobre a matemática, é logrado por seu patrão na hora do pagamento, recebendo menos do que deveria. Para transcender essa realidade, a educação financeira é essencial, atuando como uma forma de “pedagogia libertadora”. Para Paulo Freire, criador desse conceito, a pedagogia deve estimular a reflexão do discente, conce-dendo-o autonomia e, assim, libertando-o por meio da educação.
Destarte, a fim de mitigar a atuação do Epicurismo transfigurado atual e conceder autonomia econômica a uma maioria de indivíduos, o Ministério da Educação e Cultura deve, por meio da alteração da Base Nacional Comum Curricular, inserir, nas escolas, o ensino financeiro, conforme feito em países desenvolvidos, como Noruega e Finlândia. Somente assim, será possível evitar casos como o de Rubião e Fabiano, além de reduzir o cenário retratado na letra dos Mamonas Assassinas.