A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 01/11/2023
Segundo o filósofo Norberto Bobbio, a aquisição de direitos ocorre de forma gradual, “nem todos de uma vez e nem de uma vez por todas”. É, então, nesse con-texto que se insere o direito à educação, que, apesar de expresso na Constituição Federal, não abrange, ainda, sua totalidade, a exemplo da falta educação financeira nas escolas. Nesse sentido, devido sua importância inegável na vida populacional, é imprescindível entender as consequências dessa abstenção: a emergência da cul-tura do consumismo, o endividamento em massa e a insegurança na velhice.
Sob esse viés, a ascensão da cultura consumista é impacto direto da falta de educação patrimonial. Nesse sentido, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a socie-dade contemporânea valoriza as pessoas, primordialmente, pelo que elas podem consumir, a exemplo das marcas de luxo, que tornaram-se simbolos identidários. Nesse cenário, essa tradição, por gerar medo e insegurança, faz com que os indivì-duos persigam, a todo custo, adequar-se a essa nova realidade. Isso ocasiona, em última análise, em atitudes impulsivas, como a aquisição de empréstimos com altos juros, e por fim, no endividamento em massa.
Ademais, ainda sob a óptica capitalista, o economista Robert Kiyosaki, em seu livro “Pai rico pai pobre”, discute como a omissão desse ensino leva os homens a entrarem em uma “corrida de ratos”, termo cunhado pelo autor para explicar o círculo vicioso, que consiste em angariar dinheiro e gastar. Nessa perspectiva, esse quadro é agravado, sobremaneira, na terceira idade, visto que, à medida que a ida-de avança, fica cada vez mais difícil a inserção no mercado de trabalho ou o aumen-to da renda. Dessa forma, por essa etapa ter uma grande demanda de gastos, co-mo reédios e exames, a falta de dinheiro ocasiona em uma funesta insegurança.
É mister, portanto, que o Ministério da Educação - órgão responsável pelo de-senvolvimento do intelecto infanto-juvenil-, por meio de grade curricular, imple-mente, nas escolas, a educação financeira, mostrando como o mercado financeiro funciona, de forma prática e objetiva, além de informar os conceitos econômicos e suas aplicações. Esse programa terá como objetivo formar uma geração consciente e pensante, que conseguirá “fugir da corrida dos ratos”, como preconiza Robert .