A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 16/07/2024

Para a pensadora Hannah Arendt, “A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Todavia, o panorama nacional refuta a tese formulada por Arendt, haja vista a escassez do direito à educação financeira na vida dos cidadãos brasileiros. Esse lamentável problema social é calcado na inércia estatal e também na lacuna educacional.

Diante desse cenário, é lícito postular a omissão governamental como cristalizadora da questão. A partir disso, Gilberto Dimenstein – expoente escritor brasileiro - em sua obra “Cidadão de Papel”, faz críticas aos direitos legislativos que permanecem apenas no papel teórico. Sob esse viés, tal obra pode ser associada ao cenário contemporâneo, uma vez que o Estado não oferece suporte necessário - investimentos adequados ao ensino fiscal – para que os estudantes possam usufruir de uma infraestrutura formativa qualificada e adquirir competências essenciais. Consequentemente, esse quadro impossibilita futuramente a construção de sujeitos capazes de administrar suas finanças pessoais. Assim, enquanto a indiferença estatal for regra, a aprendizagem será ínfima.

Ademais, é crucial destacar a falha pedagógica como mantenedora do impasse. Nesse contexto, fundamenta-se a lógica do filósofo Immanuel Kant, “O homem não é nada além daquilo que a educação dele”, ou seja, a ausência de conhecimento acerca do uso financeiro de forma adequada compromete a formação do cidadão brasileiro. Tal situação ocorre, pois muitas pessoas desconhecem os riscos do mal manuseamento do dinheiro, tornando-se vulneráveis ao endividamento precoce e excessivo. Dessa forma, torna-se vital a reconfiguração do sistema pedagógico, a fim de eliminar esse nefasto quadro.

Portanto, medidas são necessárias para metamorfosear esse nefasto prisma social.Para isso, cabe ao governo - pilar da pátria - criar leis e projetos, por meio de campanhas, palestras e alocação de verbas, visando distribuir recursos (professores, instalações, materiais, didáticos, etc.), e reestruturar o currículo escolar, para assim encaixar a aprendizagem monetária nas escolas, acabando enfim com as dívidas e a má gestão de capital. Desse modo, a ótica de Arendt sobre os benefícios humanos estará sendo posta na realidade do Brasil.