A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/07/2024

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que regem essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à educação financeira no Brasil, já que esse aprendizado tão importante é tratado de maneira rasa. Dessa forma, é preciso avaliar negligência do Estado e a omissão midiática como causas.

Deve-se explorar, de início, a negligência estatal como um dos fatores que impedem a prática da educação financeira. Nessa lógica, John Locke, filósofo contratualista, analisaria essa situação como uma quebra do contrato social, já que o Estado não cumpre com a função de garantir educação. Dessa maneira, muitos cidadãos entram em crise pecuniária por não existir, na maioria das escolas, aulas que ensinam como planejar a vida monetária. Isso acontece porque o ensino brasileiro foca em assuntos que, muitas vezes, não são úteis aos cidadãos, como o estudo da física avançada. Nessa ótica, se nada for feito, milhares de pessoas continuarão sofrendo com crises financeiras.

Além disso, a omissão midiática é outro desafio que precisa ser enfrentado para educação financeira a ser uma realidade no país. Nesse contexto, Djamila Ribeiro, filósofa brasileira, afirma que a mídia é movida pelo lucro, ou seja, a informação não é exibida se não obter o retorno desejado. Isso ocorre porque, nessa análise, a mídia é uma ferramenta capaz de estabelecer regras de comportamento, pois age diretamente na opinião pública. Nesse sentido, a população não é informada sobre a importância da educação financeira em suas vidas porque assuntos como esse não geram retorno capital para a mídia.

Infere-se, portanto, que medidas devem ocorrer para acabar com os desafios para a educação financeira no Brasil. Para isso, cabe ao Poder Legislativo, na condição de detentor dos meios legais de transformação, criar leis que tornem obrigatório o ensino sobre educação monetária nas escolas públicas do país. Esta proposta deve ser aprovada por meio de um debate na Câmara dos Deputados e tem como fim garantir que os brasileiros consigam controlar suas finanças. Somente assim a realidade brasileira não será comparada à ficção de Machado de Assis